sexta-feira, 28 de junho de 2013

Passagem em Campinas-SP a R$ 2,85, "Ilusão Monetária"?


Muitos estão dizendo que haverá uma grande greve e manifestações marcada para o dia primeiro de Julho. Uma das reivindicações seria que a passagem de ônibus passe de R$ 3,00 para R$ 2,85.  O pensamento que faço é: de onde sairá este dinheiro? "There is no free lunch", ou ameaçarão que o dinheiro para a redução da tarifa sairá de obras em investimentos em infraestrutura, educação, ou, saúde, ou com aumento dos tributos. Nesse caso resultaria em um "jogo de soma zero", já que o que se ganhou com o barateamento dos transportes, foi perdido com a queda dos investimentos  em outros setores, o que resultaria em uma espécie de "Ilusão Monetária", conceito criado pelo economista, o qual não sou nada simpático, Milton Friedman, onde não correria um ganho real e todos continuariam na mesma posição.

 Por outro lado, os manifestantes dirão “o dinheiro vai passar a estar disponível com a erradicação da corrupção!". Francamente, não acredito que o fim da corrupção elevaria o transporte público, saúde e educação brasileiros à patamares noruegueses. Devemos sim exigir o fim da corrupção e um aumento da transparência nos gastos públicos, fim de votos secretos em decisões políticas, fim de voto secreto nas reuniões do COPOM, pois assim saberemos quem está realmente defendendo os nossos interesses e poderíamos cobrar os políticos com maior eficácia.

Não adianta pedir o a redução das passagens se isso acarretar em perdas em outras áreas importantes. Acredito que a população não deva pedir apenas o resultado final (melhora da saúde, da segurança, transporte, fim da corrupção), mas indicar por quais meios quer que o Estado atinja esses objetivos, para que os pedidos não resultem em “soma zero”.

Acredito que os três melhores pedidos a serem feitos seriam:

1) A renegociação das dívidas de estados e municípios junto ao governo federal. Seguem dois exemplos do que quero dizer:

Há pouco tempo o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, declarou à imprensa que a dívida  do estado junto à União era, em 1997, de R$ 46 bilhões. Da data apontada até o início de 2010 foram pagos R$ 56,6 bilhões de juros e amortização e, mesmo com esse esforço, a dívida estadual cresceu para R$ 145 bilhões.

O município de São Paulo encontra-se em situação similar. A dívida da cidade negociada com o Governo Federal em 2000 era de 11,3 bilhões. Daquele ano até o começo de 2010 foram pagos 11,9 bilhões de reais, todavia a dívida chegou a cerca de 40 bilhões de reais. O detalhe importante é que não foram tomados novos empréstimos.

Com a renegociação ou fim dessas dívidas sobrariam recursos para o investimento, de estado e municípios, em escolas, hospitais, segurança.

2) Desindexação total dos do IPCA. Calcula-se que, com a desindexação total da inflação, o IPCA seria reduzido em cerca de 30%, logo teríamos uma inflação próxima a meta de  4,5% ao ano.

3) Com a desindexação seria possível que a população cobra-se uma política  com juros menores, possibilitando a retomada do crescimento econômico. O que reduziria o total de juros pagos pelo Governo Federal a rentistas, que hoje beiram os 300 bilhões de reais por ano, muito superiores aos R$ 30 bilhões usados para a realização da Copa.


Frederico Matias Bacic 

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