quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quais seriam as melhores aplicações para um investidor do Tesouro Direto nesse momento? - Frederico Matias Bacic


Após começar o ano de 2013 com uma inflação superior a média dos últimos dez anos, o Comitê de Política Monetária do Banco Central acompanhou às especulações da mídia e analistas de mercado elevando a Taxa SELIC em 0,25 ponto percentual, passando de 7,25% ao ano, para 7,5% ao ano. No gráfico abaixo podemos ver o crescimento da inflação para o mês de janeiro em relação à média de 2002 a 2012:



Para os investidores é chegada a hora de avaliar a atual conjuntura econômica e mensurar se as aplicações em títulos de renda fixa com taxas prefixadas terão rentabilidades superiores ou inferiores quando comparados aos papéis corrigidos pela inflação.
O governo programou diversas medidas para o controle dos preços, como, por exemplo, a redução dos impostos que compõem a cesta básica. A taxa de inflação nos meses de fevereiro, março e abril, foi abaixo da média mensal dos últimos 10 anos. Sendo assim as expectativas da SELIC que, no relatório Focus, está em 8,25% ao ano podem se reduzir, caso os preços permaneçam sob controle.
É remota uma política mais agressiva por parte do Banco Central em relação ao aumento de juros, dado o controle de preços nos últimos três meses. Com isso a possibilidade de compra de papéis pós-fixados, atrelados a juros de curto prazo fica afastada.

Todavia, os que esperam que a SELIC termine o ano acima de 8%, podem buscar proteção investindo em aplicações pós-fixadas, cuja rentabilidade flutua de acordo com a SELIC, como as LFTs. Se a expectativa é oposta, que a SELIC ficará abaixo de 8%, a alternativa é buscar os prefixados e títulos atrelados à inflação.
Os títulos atrelados à SELIC são as alternativas mais rentáveis no momento entre os investimentos mais conservadores, com maior liquidez e menos oscilações, sendo úteis para investir o dinheiro que pode precisar ser usado a qualquer momento. Já os títulos atrelados à inflação (NTN-B, por exemplo) são boas alternativas se a intenção é proteger o poder de compra em um investimento de longo prazo, desde que o título não seja vendido antes do vencimento.
Como nesses últimos três meses a inflação apresentou patamar, dentro da normalidade, acredito que o Comitê de Política Monetária não terá necessidade de seguir com o aumento da taxa básica de juros, e caso ocorra um novo aumento a SELIC não deva encerrar o ano acima de 7,75% a.a.
As alternativas possíveis, então, são a Letra do Tesouro Nacional, com juros prefixados e vencimento em 2017 (LTN 2017) e a Nota do Tesouro Nacional da série B Principal, corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e prazo de resgate em 2019 (NTN-B Principal 2019).
Como podemos observar na tabela extraída do Relatório Focus do Banco Central no dia três de maio a expectativa de inflação está e 5,71% para 2013 e 5,70% para o ano de 2014.

Desta forma observa-se que a expectativa é que inflação permaneça dentro das bandas estabelecidas pelo BC, mas acima do centro da menta, da mesma forma como vêm se repetindo desde o ano de 2010 (com exceção de 2011, quando o IPCA atingiu a banda superior)

Uma forma de ponderar as expectativas de rendimento das duas opções descritas anteriormente é fazer a comparação, desde o mês de janeiro deste ano, entre a evolução da taxa de juros da LTN 2017, com o retorno total da NTN-B 2019, levando em conta três cenários de inflação: 5,5%, valor provável, alinhado com as expectativas descritas no relatório Focus; 6,5%, valor pouco provável, pois o Banco central já sinalizou que irá realizar um esforço para manter a inflação abaixo da banda superior e por fim o cenário otimista, com uma inflação anual de 4,5%, o centro da meta, valor este que foi alcançado apenas em 2009.
Como podemos observar no gráfico abaixo, do Tesouro Direto, em grande parte do primeiro trimestre desse ano, o ganho esperado com a NTN-B Principal 2019, com uma inflação de 5,5% ao ano foi semelhante ao rendimento da LTN 2017.
No entanto, ocorreu uma queda dos juros da LTN 2017, de 9,50% ao ano no início do mês para 9,10% ao ano no dia 22 de abril. A razão desta redução foi a interpretação de que o BC não irá elevar os juros de forma tão acentuada.
O juro real da NTN-B Principal 2019, ou seja, a parcela do rendimento acima da correção pela inflação, também recuou no mesmo período, porém em menor proporção. O resultado foi o aumento da remuneração esperada do título, para IPCA mais 3,64% ao ano.





 
Em resumo, se a inflação permanecer em 5,5% ao ano, o rendimento da NTN-B Principal será de 9,34% ao ano. Se o IPCA subir para 6,5% ao ano, o rendimento esperado do título sobe para 10,38% ao ano. Nos dois cenários, o ganho com o papel indexado é maior do que com o título prefixado.
Nas atuais condições de mercado, apenas se a inflação recuar para perto do centro da meta de 4,5% ao ano, a rentabilidade da LTN 2017 ficará maior do que a da NTN-B Principal 2019, um cenário atualmente pouco provável. Não acredito em um crescimento da SELIC acima de 8,0% a.a, já que a inflação retornou à normalidade, sendo assim acredito que o Banco Central irá realizar uma política monetária mais branda, não valendo apenas investir em títulos atrelados a SELIC pós-fixados. Sendo assim a compra da NTN-B 2019, seria uma melhor opção para o investidor que busca oportunidades de maiores rentabilidades.



Um comentário:

  1. Boa a análise Fred...
    Uma coisa me chama a atenção no último mês: A venda de bens de luxo (automóveis especialmente) em parcelamento em até 36x sem juros (entrada de 50% + saldo). Assim, o PV do bem não decresce absurdamente? Dado que o preço anterior antes desta facilidade era o mesmo? Enfim, isso não é deflação? E quadro de deflação não é prenuncio de crise (das bravas)?

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