quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quem Quer Ser Milionário? - Por Fernando Nogueira Costa


A tabela acima, extraído de  Wealth-X-world-ultra-wealth-report 2013,  revela que caiu o número de ultra-milionários no Brasil, que ganhavam acima de US$ 30 milhões, de 2012 para 2013. Isto por causa da depreciação da moeda nacional, queda da bolsa de valores, queda dos preços de commodities, baixo crescimento da renda, etc.
Ter um milhão de reais na conta bancária é um sonho perseguido por muitos brasileiros, seja investindo em educação e trabalho duro, apostando em loterias ou se inscrevendo em reality shows, como o “Big Brother Brasil“, que dá R$ 1,5 milhão ao vencedor. Mas será que ter R$ 1 milhão faz dessas pessoas milionárias?
Hoje, é mais comum encontrar muitos (cerca de 165 mil segundo estimativa de administradores de fortuna) “milionários” pelo Brasil afora. São pessoas que têm um patrimônio avaliado em um milhão de reais ou mais, mas não são os milionários do imaginário coletivo que esbanjam dinheiro e ostentam artigos de luxo. São pessoas que compraram uma casa há dez anos atrás por 150 mil reais e, hoje, com a valorização do imóvel em algumas regiões do país, vivem em residências avaliadas em 500 ou 700 mil reais. Soma-se a isto a renda das pessoas da casa e os frutos dos planejamentos financeiros, possíveis após a estabilização da taxa de inflação com alta taxa de juros, e se encontra famílias bem-sucedidas com patrimônio avaliado em um milhão de reais.

Na entanto, para se tornar “milionário em dólar” depende da apreciação da moeda nacional, do ritmo da inflação e da consequente taxa de juros em termos reais, e da aquisição de imóveis que não se destinam a ser a própria residência e que se valorizam ao longo de certo tempo. Muitas famílias já vivem a ilusão de que possuem esse valor, por avaliar que suas residências valem mais de um milhão de reais, mas, de fato, elas não são milionárias.
A confusão acontece por causa de que o estereotipo de milionário ter mudado bastante ao longo do tempo. Etimologicamente, milionário é quem possui um milhão na moeda corrente, mas o conceito expressa algo bem diferente.
A palavra “milionário” foi criada no século 18, na Europa. Ela se referia aos milionários da época, quando possuir uma quantia equivalente a um milhão em valores era extremamente difícil. Se corrigidos os valores da época para o momento atual, um milhão de dólares daria aproximadamente 30 milhões na mesma moeda!
Hoje, são considerados, de fato, “milionários”, os Ultra High Net Worth Individuals (UHNWIs), ou seja, indivíduos ou famílias que têm pelo menos, US$ 30 milhões em ativos para investimento, ou rendimento anual de mais de US$ 20 milhões.
As linhas exatas de divisão depende de como um banco deseja conquistar seu segmento de mercado, por exemplo, o termo “indivíduos com muito alto patrimônio líquido” (HNWI) pode referir-se que os possuidores de ativos entre US$ 5 milhões e US$ 50 milhões, possuindo “ultra-alto patrimônio líquido” (UHNW) só aqueles com mais de US$ 50 milhões. De acordo com essas nomenclaturas distintas de HNWI, um investidor com menos de US$ 1 milhão, mas mais de US$ 100.000, é considerado “rico“, ou talvez até mesmo “sub-HNWI“.
Antes, quem tinha um milhão era de fato extremamente rico. Atualmente, o termo foi atualizado e ser milionário não se refere mais ao valor da moeda e sim a um conceito qualitativo.
“Milionário”, hoje, é o cara muito rico. O termo se refere a uma pessoa que não precisa trabalhar para manter um padrão de vida bem confortável, com certos luxos, e, mesmo assim, deixar uma boa herança para a família.
O que dá para comprar com R$ 1 milhão? É possível listar alguns gastos que poderiam ser realizados com essa quantia. Por exemplo, pagar o ensino básico, fundamental, médio e universitário para três filhos em colégios de elite de São Paulo seria uma das opções. O total das mensalidades giraria em torno de 2 mil reais mensais ao longo da vida acadêmica de cada aluno, ou seja, cerca de 15 anos ou 180 meses. A conta não leva em consideração gastos com material escolar…

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