terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Melhores Investimentos - Por Fábio Biral da Miura Investimentos



A Revista Exame divulgou ontem uma reportagem que aborda o recorde de captação da tradicional caderneta de poupança durante o ano de 2012. Segundo dados do Banco Central, a diferença de depósitos e saques durante o ano foi de 49,719 bilhões. Depois de ler esta reportagem fiquei me perguntando qual seria o motivo disso.

Para quem não sabe, o ano de 2012 foi marcado pelo fato do país atingir a menor taxa de juros da história do Brasil. Se não bastasse isso, o rendimento da poupança foi modificada pelo Governo, agora, a caderneta paga apenas 70% da Selic (taxa de juros referencial do país), que no atual momento é de 7,25%a.a. Ou seja, no mesmo ano em que a poupança atingiu a menor rentabilidade da história, ela obteve recorde de captação.

Hoje pela manhã, outra notícia me chamou atenção. O jornal Valor Econômico divulgou uma reportagem que continha dados sobre o retorno dos investimentos em aluguel feitos na cidade de São Paulo e Rio de janeiro. O resultado é preocupante, já que nas duas capitais, o retorno médio do aluguel é de 0,35% a.m, ante 0,50% a.m da poupança. Isso quer dizer, que o preço do aluguel não está acompanhando a valorização dos imóveis. Segundo a própria reportagem, a oferta de imóveis novos tende a aumentar de 20 a 30% nessas cidades durante 2013, próximo do aumento em 2012, que foi de 28%. Assim, apesar da procura por imóveis ainda ser grande, esse fator pode causar uma possível queda nos preços imóveis durante os próximos anos.


 A rentabilidade apresentada dos dois investimentos acima não supera sequer a inflação e o cenário não deve mudar tão rápido, isso porque, os bancos estimam uma taxa de juros e uma inflação próxima ao patamar atual no final de 2013. Antes de concluir minha reflexão, gostaria de deixar claro que minha ideia não é criticar o modelo econômico atual (seja ele bom ou ruim) e sim refletir sobre o porquê desses investimentos, a princípio desvantajosos no cenário atual, serem os mais procurados. Em um primeiro momento, eu poderia afirmar que a resposta é o fato de na teoria eles serem os investimentos mais conservadores. Mas depois de pensar um pouco mais, chego à conclusão de que a falta de uma cultura financeira seja responsável por isso.

O brasileiro desconhece as opções de investimentos existentes no mercado. Hoje existe uma infinidade de produtos, como - títulos públicos, fundos de renda fixa, fundos imobiliários – que são boas alternativas aos tradicionais produtos, por terem boas rentabilidades, liquidez e independerem de sua idade ou volume financeiro. Fato que comprova minha linha de raciocínio é a quantidade de investidores presentes nesses produtos “mais avançados”.

O mercado de ações, por exemplo, atinge apenas 0,3% da população brasileira, sendo que hoje é uma das alternativas mais rentáveis, desde que haja um bom acompanhamento desse investimento. Em mercados mais desenvolvidos, como o dos Estados Unidos, mais de 50% da população utiliza desse produto, inclusive quando se trata de aposentadoria. Já os fundos imobiliários, muito falados no segundo semestre pela captação recorde do fundo de agências do Banco do Brasil, possui apenas 90.000 “cpfs cadastrados” para investir. Para quem ainda investe na poupança ou confia plenamente nos imóveis, recomendo que procure uma assessoria financeira para saber mais sobre investimentos.

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