quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Apocalipse Maia à americana: O abismo fiscal americano – Frederico Matias Bacic



Caso a profecia Maia não se concretize e o mundo não acabe no dia 21 de Dezembro deste ano os Estados Unidos terão que se preparar para um 2013 turbulento. Se o governo norte americano não estudar nenhuma medida para evitar as medidas que promoverão a austeridade fiscal e aumento de tributos, logo no inicio de janeiro de 2013, episódio apelidado de “abismo fiscal” (Fiscal Cliff) a situação da economia americana pode ficar ainda pior.

Este cenário de redução dos gastos e aumento dos tributos foi uma condição para que se aprovasse o aumento do teto da dívida norte americana. Entretanto um relatório do Escritório para Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) alega que essas medidas farão com que o Produto Interno Bruto (PIB) passará de um crescimento estimado em 2,1% em 2012, para uma retração de 0,5% no ano que vem se o “abismo fiscal” realmente acontecer. O estudo também prevê um aumento do desemprego que passará dos atuais 8,2%, para 9,1% no próximo ano.

Se por um lado o governo americano implementar o aumento da arrecadação e redução nos gastos, estima-se que ocorrerá uma redução da dívida pública dos atuais 73% do PIB em 2012 para 58% em 2022. Por outro lado, se houver mudanças nas leis para manter diversos incentivos praticados nos últimos anos, a dívida subiria para 90% do PIB até 2022.



Outro ponto que deve ser pensando é que as políticas de austeridade podem ter um efeito negativo sobre o investimento, geração de emprego e renda, o que pode fazer com que os Estados Unidos enfrentem maiores dificuldades para sair da crise. Por outro lado se nada for feito em pouco tempo será atingido o novo teto da dívida, impedindo qualquer política de caráter expansionista. Nenhuma das duas parece uma boa saída. Qual será a menos pior?

O único que podemos dizer é que grande parte disso se deve a herança Bush, que reduziu drasticamente os impostos sob os mais ricos (arrecadação que faz falta nesse momento  e que não recebe apoio do congresso para que retone) e fez déficits para manter duas guerras em seu governo.  Agora uma decisão precisa ser tomada, seja ela qual for representará um grande desafio para o presidente Obama que terá que negociar com o congresso, formado em maioria por Republicanos, a melhor saída para não cair nesse precipício.

Frederico Matias Bacic                                          

2 comentários:

  1. Em qualquer análise, seja qual for o viés, o problema não será resolvido gerando um novo problema. Veja este pedacinho de Von Mises (As Seis Lições, p.79): "A tributação progressiva da renda e dos lucros tem como resultado o fato de que precisamente aquelas parcelas da renda que se tenderia a poupar e a investir são consumidas no pagamento de tributos". Tenho, confesso, maior tendência ao keynesianismo, mas de vez em quando, gosto das "porradas" que os austríacos dão...Abraços!

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  2. Então colega Renato, entraríamos na interminável discussão: é a poupança determinadora do investimento, ou o investimento que determina o nível de poupança? Precisamos da criação de poupança ou funding?

    Chegou a ler esse texto?
    http://economidiando.blogspot.com.br/2012/10/circuito-de-financiamento-investimento.html

    Abraços! E obrigado por comentar!

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