terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dica de Livro: Eclipse: Living in the Shadow of China's Economic Dominance - Por João Ricardo Trevisan de Souza





Existem algumas dúzias de livros descrevendo como a China irá superar os Estados Unidos em algum momento deste século. Em geral esses livroes são baseados em projeções do produto interno bruto americano e chinês, assim como investimento em indústrias estratégicas e exército. Em seu livro, o economista Arvind Subramarian procura ampliar o espectro da análise sobre a transferência de poder do Ocidente para o Oriente.

A primeira inovação de Arvind Subramarian é a criação de um índice para quantificar supremacia econômica. Além do PIB, o autor considera a porcentagem de participação no comércio internacional e o fluxo (líquido) de capitais como as variáveis chave para a determinação do país hegemônico. Usando a base de dados do Fundo Monetário Internacional, Subramarian, determina a transferência do poder da Inglaterra para os Estados Unidos no imediato pre Primeira Guerra e projeta a transferência Estados Unidos-China para o ano 2030.

Além da criação do índice mencionado acima, o autor também avalia a mudança da moeda de reserva global (tópico já abordado no artigo "A Internacionalização do Yuan"   Clique Aqui). De acordo com o autor, a mudança do dólar para o yuan não é apenas uma consequência da transferência de poder, mas sim parte integrante do processo. Assim como o Estados Unidos usaram, em diferente instâncias, o dólar para atingir seus objectivos de política externa, a China deverá fazer o mesmo com o yuan. É claro, no entanto, que o estabelecimento do yuan como moeda internacional não será um processo indolor nem para a China nem para o resto do mundo

A maior dúvida sobre a tranferência de poder recai sobre o baixo nível do produto per capita chinês no momento da transição (em torno de 2030). Ambos, Inglaterra e Estados Unidos, já gozavam de uma alta renda per capita no momento em que atingiram o poder hegemônico, e o mesmo não acontecerá com a China. Baixos níveis per capita estão geralmente associados a problemas sociais, baixo nível de “soft core” e baixa capacidade tecnológica. Todas essas características poderiam por em risco a hegemônia chinesa.

Todas essas previsões são, obviamente, suscetíveis a erro. Um debate bastante similar ocorreu durante a década de 1980 sobre a possível hegemônia japonênsa. A diferença desta vez é que mesmo as previsões mais conservadoras apontam para a hegemônia chinesa (e não simplesmente um mundo bipolar) nas próximas décadas.

Enfim,  Arvind Subramarian mostra-se bastante confiante no seu modelo e na sua base de dados para afirmar com todas as letras que o mundo estará sob a hegemonia chinesa a partir de 2030. E, para além das previsões, o livro oferece uma boa (e breve) narrativa histórica sobre a hegemônia americana.


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