segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CIRCUITO DE FINANCIAMENTO-INVESTIMENTO – POUPANÇA - FUNDING: REERGUENDO A ESCADA - Frederico Matias Bacic



De acordo com a teoria econômica neoclássica da intermediação financeira, investimento e poupança são determinados de maneira simultânea, a taxa de juros é o preço que equaliza a oferta (poupança) e a demanda (investimento). Para que exista o equilíbrio macroeconômico, apenas poderá ocorrer um aumento no investimento se, concomitantemente, ocorrer um aumento nos níveis de poupança. Caso contrário poderia se formar um processo inflacionário cumulativo, que acarretaria em desequilíbrio macroeconômico. Assim sendo, nesta teoria, no longo prazo a poupança é o grande empecilho à expansão do investimento[1].
Entretanto Keynes demonstrou, como veremos de forma detalhada mais a frente, que o investimento é na verdade a causa última na determinação da renda e da poupança, essa reversão intelectual perante a teoria ortodoxa é consequência do Principio de Demanda Efetiva desenvolvimento pelo autor. Nesse modelo a taxa de juros aparece como um fenômeno estritamente monetário, determinado pela preferência pela liquidez (demanda por moeda) e pela oferta de moeda não podendo ser considerada, portanto, como uma mera variável de ajuste na relação entre investimento e poupança.  É a preferência pela liquidez dos bancos e dos aplicadores em títulos que determina o volume e os prazos do financiamento do investimento.
Dentro desta teoria são os bancos, e não os poupadores, peças fundamentais na determinação de fontes de financiamento do investimento, em outras palavras são eles responsáveis pelo aumento no nível da atividade econômica. Ainda segundo Keynes a poupança é um resultado que ocorre após o processo de investimento. E a alocação das poupanças geradas pelo processo de multiplicação da renda tem importância no processo de administração dos empecilhos gerados pelo descasamento de vencimentos durante o crescimento econômico[2]. Essa teoria, escrita por John M. Keynes, acabou ficando conhecida como Circuito Financiamento-Investimento-Poupança-Funding.

Para os economistas neoclássicos a baixa poupança no passado é ocasionada por um alto nível de consumo ocorrido, isso acarretaria em um baixo investimento e, consequentemente, uma queda nos níveis de emprego e renda. A teoria apresentada por Keynes impugnou a ideia de que "a soma das partes tem que ser igual ao todo" chamando-o de "falácia da composição" a visão keynesiana, apresenta a ideia do paradoxo da parcimônia. De acordo com essa abordagem se, por hipótese, o investimento for uma função direta e positiva da renda, um aumento no desejo de poupar por parte do público acaba por reduzir o nível de renda de equilíbrio e, consequentemente, reduz a poupança abaixo do nível que vigorava anteriormente[3].
Keynes deixa claro que a poupança e o investimento possuem determinantes diferentes. Existe uma independência entre a decisão de investir e o nível de poupança realizado no passado. A decisão de investimento é função da Eficiência Marginal do Capital e das expectativas dos capitalistas perante o futuro e da taxa de juros. Já a poupança não apresentaria uma relação direta com a taxa de juros, esta é derivada do processo multiplicador gerado pelo investimento. Sendo assim o investimento é o determinador da poupança.
Com a existência do financiamento (nomeado por Keynes como motivo Finance), o investimento é concretizado, com o efeito multiplicador, é realizada a poupança agregada. Entretanto para que o circuito financiamento-investimento-poupança-funding seja realizado é necessária a existência de fundos para “consolidação financeira dos passivos das empresas endividadas[4]” (nomeado por Keynes como Funding). Sendo assim, é preciso a existência de fundos que gerem a possibilidade de as empresas reembolsarem suas divídas aos bancos credores, com a venda de títulos de longo prazo, ou direito à propriedade, realizando um ajuste temporal que permita a maturação do investimento. A seguir modelo ilustrativo do circuito apresentado[5]:

O modelo apresentado pelo pensamento Keynesiano é uma grande revolução para o pensamento econômico, pois mostra que para que ocorra o investimento, acarretando em um incremento nos níveis de renda e emprego e, consequentemente, desenvolvimento econômico, é necessária a criação de Funding, contrário do que prega o Mainstream Econômico onde a poupança é o fator determinante para o desenvolvimento e crescimento de uma economia.

Sendo assim, acredito que essa teoria consegue reerguer umas das escalas que, como diria o economista Ha-Joon Chang, haviam sido chutadas para bloquear a possiblidade do desenvolvimento econômico das economias periféricas pelo pensamento dominante neoliberal, ensinados na maioria das instiuições de ensino superior e reproduzido pelos meios de comunicação.

Frederico Matias Bacic

Bibliografia
Blog Prof. FERNANDO NOGUEIRA COSTA – Aulas e material disponibilizado
CARVALHO, F; SICSÚ, J; SOUZA, F; RODRIGO DE PAULA, L; STUART, R – Economia Financeira e Monetária – 2ª Edição
COSTA, FERNANDO NOGUEIRA – Decisão – Finance – Investimento – Renda – Aplicações – Funding




[1] Essa teoria é conhecida como “hipótese da poupança prévia”
[2] CARVALHO, F; SICSÚ, J; SOUZA, F; RODRIGO DE PAULA, L; STUART, R – Economia Financeira e Monetária – 2ª Edição
[3] A Macroeconomia Keynesiana UFBA
[4] LOBO, BRENO SANTANA - Teoria dos Fundos Emprestáveis X Circuito Financiamento-Investimento-Poupança-Funding: uma avaliação empírica para o Brasil. Página 5.
[5] Retirado de matérias de aulas do Professor Fernando Nogueira Costa

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