segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Brasil, um cenário de mudanças - Frederico Matias Bacic



O objetivo deste artigo é demonstrar que mesmo no atual cenário de grandes incertezas, ocasionadas pela crise que abala a economia mundial, existem boas perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos.

Em meio a um período de forte turbulência na economia mundial, com a Crise da União Europeia, o Brasil vem contrariando as expectativas de muitos analistas internacionais, que acreditavam em um desastre nas finanças públicas brasileiras no inicio da crise em 2007, quando começaram a aparecer os primeiros indícios do colapso do subprime nos Estados Unidos.

Em meados de 2007, analistas do banco Goldman Sachs apostavam em um aumento da dívida pública brasileira para mais de 65% do PIB, entretanto o governo federal conseguiu implantar uma política de estímulos à economia, mantendo o nível de emprego e renda, concomitantemente, com a redução da dívida pública em relação ao PIB. Em 2006, a dívida líquida do setor público era de 47,3% em relação ao PIB, a previsão para 2012 é que chegue a 35% do PIB.

Outro importante ponto foi a redução da taxa SELIC, que possibilitou a manutenção da atividade econômica nesses últimos anos de instabilidade. Contrariando as argumentações de alguns setores de que essa atitude poderia levar ao descontrole da inflação, o Banco Central reduziu a SELIC em 9,75 pontos percentuais, sem impacto no índice de preços. Em janeiro de 2006 a taxa básica de juros estava em 17,25% ao ano, em agosto de 2012 chegou ao atual patamar de 7,5% a.a.


Mesmo durante um período de grandes instabilidades no cenário mundial houve diminuição no nível de desemprego. Em 2007, a taxa de desemprego aberto chegou a 10,1%, atualmente a estamos em 5,8%.

Sobre o Balanço de Pagamentos (BP), em 2007 o resultado do BP foi de U$ 87,4 bilhões, sofrendo uma drástica queda no ano de 2008, reflexos da crise econômica mundial do subprime, atingindo o saldo de U$ 29,5 bilhões. No ano seguinte, 2009, o resultado foi muito expressivo, em 46,6 bilhões de dólares. Devemos notar a rápida recuperação do saldo global no BP, impulsionado pela volta dos fluxos de capitais internacionais, sobretudo na Conta Financeira, que demonstram uma alteração no comportamento do capital externo em relação ao país.

Em tempos passados a recuperação do saldo do BP não se dava de maneira tão rápida, o que mostra uma maior confiança em relação à economia brasileira. Entretanto, algumas medidas devem ser tomadas em relação ao nosso Balanço de Pagamentos, ações para diminuir o grande déficit nas Transações Correntes, ocasionado pela deterioração da conta de Serviços e Rendas, têm de ser tomadas com urgência.

O nível de reservas internacionais terminou o ano de 2011 em U$ 350 bilhões, as maiores já constatadas no Brasil, sendo a sétima maior reservas de dólares no mundo, não sendo mais um ponto de vulnerabilidade, como foi em um passado próximo.

Mas um dos índices que mais chama a atenção foi o Resultado Fiscal do Setor Público em relação ao PIB. Em 2003 este índice estava em -5,2% e a previsão para 2012 é que fique em -1,4. Quando mais próxima de zero, menor será a Necessidade de Financiamento do Setor Público, isto é, menor será a necessidade do setor público de emitir títulos da dívida para financiar o déficit.

O que gera grande ânimo é que se o país seguir na tendência da melhora do Resultado Fiscal e queda da Dívida Pública poderá, assim, diminuir o foco na realização do Superávit Primário. Assim sendo, poderemos ter mais recursos livres para o investimento em infraestrutura, educação e saúde pública, variáveis estas que tiveram a prioridade colocada em segundo plano desde a reforma neoliberal proposta pelo Consenso de Washington no começo dos anos 90, que minimizou o investimento público e marginalizou o gasto social.

Se as expectativas em relação ao cenário econômico mundial melhorarem e os índices colocados ao longo do texto seguirem a tendência apontada, acarretará em um aumento no índice de confiança dos empresários que retomarão o investimento, dando, assim, mais forças às ações governamentais tomadas até o momento. Poderemos voltar a prestigiar bons índices de crescimento econômico, como tivemos até o ano de 2008. Entretanto, dessa vez teremos um grande diferencial: a retomada do crescimento, com o Estado tendo espaço em suas finanças para retomar o investimento em educação, saúde e infraestrutura, o que seria uma grande alteração na política social e econômica dos últimos 25 anos.

Frederico Matias Bacic

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