segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Futebol Chinês - João Ricardo Trevisan de Souza




Em julho e agosto deste ano, atletas de todo o mundo estarão reunidos em Londres para competir no mais importante evento esportivo de nosso tempo. Assim como na olimpíadas de Pequim em 2008, a batalha por medalhas de ouro entre os EUA e a China promete ser bastante acirrada. Para o mais popular dos esportes, no entanto, ambos os países não levarão suas equipes. No caso da China, alias, o futebol ainda esta longe de atingir o potencial de um país com mais de um bilhão de pessoas.

A Chinese Super League, que teve início no ano de 2004, atualmente conta com a participação de dezesseis times e, como era de se esperar, grande parte destes times estão localizados na região costeira. Dentre todos os times, o destaque fica para o Guangzhou Evergrade, time de Darío Conca e Muriqui, e o Shanghai Shenghua onde jogam Didier Drogba e Nicolas Anelka.

Para custear esses atletas, clubes chineses contam com uma associação entre empresas (muitas vezes estatais) e times de futebol em um tipo de acordo pouco comum no futebol brasileiro. Por exemplo, um dos times mais populares da China, o Beijing Guoan pertence ao conglomerado financeiro CITIC Group. Da mesma forma, a incorporadora imobiliária Evergrade Real Estate Group adquiriu o time mais popular de Guangzhou e mudou o nome da equipe de Gangzhou Football para Guangzhou Evergrade.  Deixando as polêmicas de lado, o fato é que esse modelo de administração garantiu que o desenvolvimento econômico da China fosse acompanhado de uma incrível expansão do esporte bretão.


Esta expansão, no entanto, ainda apresenta diversas lacunas. E a mais evidente delas é o baixo nível técnico da seleção nacional. Em sua única participação em Copas do Mundo, a China foi eliminada na primeira fase depois de uma campanha bastante fraca que, por sinal, inclui a derrota por quatro gols de diferença contra o Brasil. O problema toma proporções ainda maiores quando a seleção chinesa é comparada com as seleções vizinhas, Coreia do Sul e Japão.

Ainda mais importante, o campeonato nacional chinês é constantemente notícia nas páginas policias. No mês passado, dois ex-presidentes da Associação Chinesa de Futebol foram presos por envolvimento em um esquema de propinas. Além disso, diversos jogadores estão sendo investigados pelos mesmos motivos. E este é apenas um dos muitos casos de polícia envolvendo futebol profissional na China.

Em suma, a conclusão mais óbvia é que o crescimento da economia chinesa provocou uma espécie de bolha onde clubes faturam alto e contratam grandes jogadores. Porém, não são capazes de promover o desenvolvimento de novos talentos. Em geral, chineses citam o sistema de ensino, a falta de campos e a ênfase em esportes individuais como as principais causas para a escassez  de talentos.

O mais curioso de toda essa história é que, como já é notório, chineses gostam de receber os créditos de toda e qualquer coisa que foi inventada nos últimos cinco mil anos. E o futebol não escapa desta tradição. Chineses acreditam de corpo e alma que o esporte que, atualmente, conhecemos como futebol nada mais é do que uma versão moderno do Cuju, jogo que surgiu há mais de dois mil anos atrás. Verdade ou não, a FIFA reconhece o esporte como uma versão precoce do futebol.

João Ricardo Trevisan de Souza

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