terça-feira, 24 de julho de 2012

Parasitismo, neoliberalismo e pedágios paulistas – Frederico Matias Bacic



Para os que não sabem moro em Campinas, São Paulo, cuja região metropolitana será palco de testes do novo método de cobrança de pedágio, que passará a ser cobrado de acordo com a quantidade de quilômetros rodados, sistema que deverá entrar totalmente em operação a partir de janeiro de 2014. A nova cobrança tem deixado muitos preocupados, já que bastará entrar em uma rodovia para ser tarifado, logo pessoas que usam as estradas para ir ao aeroporto de Viracopos, Shoppings, hipermercados, outras regiões da cidade (como por exemplo,  ir de bairro localizados na periferia ao centro da cidade), deverão pagar o pedágio.

O governo do estado argumenta que a cobrança, para os que usam a rodovia para percorrer longos trechos, irá diminuir. Atualmente os motoristas que vão de Campinas à Indaiatuba desembolsam cerca de R$ 9,50 com o pedágio, com a mudança passarão a pagar cerca de R$ 6,50. No sistema vigente as pessoas que se deslocam da cidade de Campinas ao aeroporto de Viracopos não pagam pedágio, mas passarão a pagar cerca de R$ 4,00 para realizar o trajeto.


O que é óbvio é que esse modelo tornará o trânsito das cidades ainda mais caótico, já que muitos motoristas optarão por trafegar pelas cidades e evitar ao máximo circular nas rodovias. Por outro lado a arrecadação das rodovias vai apresentar um grande crescimento, já que todos serão obrigados a pagar pela utilização de estradas.

O que me incomoda é que a redução da tarifa, para os que percorrem longos trechos ,não será nenhum grande alívio para o cidadão. Em minha opinião isso é apenas mais um sinal do que está se tornando o Estado (tanto as esferas federal, estadual e municipal) nas últimas décadas. Está ocorrendo a formação de um Estado parasita, que endividado e refém da esfera financeira da economia, tenta de todas as formas aumentar a contribuição, mas nunca com a intenção de aumentar investimentos e promover bem estar social para a população, pelo contrário, apenas retira divisas, repondo o mínimo possível (clique aqui para ler sobre o crescimento da dívida no município e estado de São Paulo). Forma-se um governo moldado pelas reformas e restrições neoliberais, austero e nada preocupado com o bem-estar da população (pelo menos, na esfera Federal, algumas mudanças contra essa corrente estão ocorrendo, mas não podemos esquecer que muitos problemas que engessam estados e municípios se devem à Brasília).

Sou apartidário, mas me incomoda a postura do PSDB no estado de São Paulo que há 18 anos ocupa o Palácio dos Bandeirantes e em quase duas décadas pouco fez pelo território paulista no que se diz respeito à educação, saúde e infraestrutura, o que não faltou foram oportunidades de continuidade entre os governos para tornar grandes projetos e mudanças possíveis.

Bom. Para finalizar gostaria de informar (para os que chegaram até o final do texto, será que alguém chegou?) que amanhã, quarta-feira, irei realizar uma cirurgia e terei que repousar e me dedicar melhor à minha saúde. Sendo assim, acredito que as atualizações do blog podem ser prejudicadas, mas tentarei, sempre que possível colocar novidades.

Frederico Matias Bacic

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