quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cresce o endividamento das famílias – Frederico Matias Bacic



No último domingo, foi publicada, no jornal Estado de São Paulo, uma matéria com o seguinte título: “14,1 milhões de famílias já comprometem um terço da renda mensal só com dívidas”, escrita por Raquel Landim e Márcia de Chiara.  De acordo com da consultoria MB Associados, realizada com base na Pesquisa de Orçamento das Famílias (POF), um quarto das famílias brasileiras se envidou mais do que deveria e foram obrigadas a reduzir o padrão de vida ou atrasar alguns pagamentos.

De acordo com a POF 70% do orçamento é destinado para despesas básicas, como por exemplo, comida, habitação ou saúde, ao comprometer 30% do orçamento com dívidas a situação das famílias se complica, já que o orçamento familiar  torna-se demasiadamente justo. A pesquisa também revelou que as classes menos favorecidas são as mais afetadas pelo superendividamento: 5,8 milhões estão na classe C e 6,6 milhões nas classes D e E.


Na média nacional o brasileiro comprometeu 26,2% da renda mensal com dívidas. Logo o estudo revela que esse valor é superior à média de 22% estimulada pelo Banco Central, pois inclui gastos com crediário de loja sem parceria com banco  e despesa à vista no cartão de crédito.

O estudo sugere que as medidas de aumento do consumo, tomadas pelo governo federal, via expansão do crédito e redução das taxas de juros não conseguirão atingir seu objetivo, pois será  contida pelo nível de endividamento e aumento da inadimplência.

Atualmente eu participo do Programa de Autonomia Financeira (PROAF) realizado pelo Grupo Gestor de Benefícios Sociais (GGBS) da UNICAMP. O que pude notar participando deste programa é que muitas famílias acabam caindo em situações de endividamento perigosas por dois motivos básicos: a falta de planejamento das despesas e falta de compromisso familiar. A melhor maneira para envidar dívidas descontroladas é planejar o gasto, decidir como o dinheiro será usado antes de ser recebido. Com o planejamento financeiro e os gastos já direcionados  às questões prioritárias é mais difícil perder o foco e ceder aos impulsos. O compromisso e conscientização de toda a família também são essenciais.

Frederico Matias Bacic

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