terça-feira, 22 de maio de 2012

Comprar na baixa, vender na alta - Fábio Biral da Miura Investimentos



O jornal Valor Econômico divulgou hoje uma matéria muito interessante sobre o atual momento do mercado e como o investidor deveria se comportar. No mercado de ações existe uma máxima: Compre ações na baixa e venda na alta. Todo mundo já escutou essa recomendação dos especialistas, mas boa parte das pessoas não segue esse conselho. Em maio, até o dia 18, o Ibovespa recuou 11,8%, a maior queda desde outubro de 2008, ápice da crise financeira, quando o mercado despencou 24,8%. É hora de comprar ações?
A análise fundamentalista possui duas abordagens: a "top-down", na qual os analistas analisam a conjuntura macroeconômica para posterior escolha das ações das companhias que se beneficiarão desse cenário, e a "bottom-up", em que a seleção das companhias ocorre independentemente do cenário macroeconômico. Em momentos de crise, nenhuma das duas abordagens funciona. A situação macroeconômica domina e os fundamentos das companhias são pouco observados, porque as projeções dos resultados se tornam mais incertas. Logo, ações de "A a Z" caem indiscriminadamente. Atualmente, há uma grande incerteza sobre o futuro da zona do euro. Nas eleições gregas, os partidos defensores dos acordos com o Banco Central Europeu não conseguiram atingir uma maioria. Logo, uma nova eleição deve ser marcada, o que aumenta a incerteza sobre o futuro da Grécia e os desdobramentos de sua eventual saída da zona do euro sobre as demais economias periféricas. Nesses momentos em que o desespero impera é bom relembrar algumas dicas de investimento.

O convívio social influencia na decisão do investidor. O ser humano tem dificuldade de se posicionar contra uma tendência ou um pensamento disseminado. Não devido à pressão social, mas ao sentimento de que um expressivo grupo de pessoas não pode estar agindo de forma equivocada. A venda maciça de ações na crise é um bom exemplo. A atitude é conhecida como "efeito manada". Desconfie sempre da unanimidade. Nelson Rodrigues já dizia: "toda unanimidade é burra". É bom se acautelar quando o mercado começa a ter uma crença dominante sobre algum evento. Em momentos de pessimismo, os investidores se afastam do mercado acionário.
Por outro lado, uma notícia positiva pode modificar as perspectivas do mercado e trazer os investidores de novo para a bolsa, elevando o preço dos ativos. O investidor deve distribuir sua poupança em três categorias: (i) reserva de curto prazo, (ii) aquisição de bens duráveis, imóveis e (iii) a parcela destinada à aposentadoria. A primeira deve ser reservada para contingências como desemprego e problemas de saúde, e contemplar entre seis e doze vezes o gasto mensal. A segunda tem um propósito específico. Já a terceira deve ser resgatada para consumo, apenas após a aposentadoria. Nessa parcela de mais longo prazo, valeria colocar uma parte em renda variável, aproveitando-se da queda da bolsa. A situação europeia não está decidida. Mas isso já era sabido em março, quando a bolsa atingiu 68.394 pontos. Em 18/05, fechou a 54.513 pontos. Se não se adquire ações quando a bolsa cai, qual o melhor momento então? Para que serve a máxima "compre ações na baixa, venda na alta"? Há chances de perda, mas investimentos de maior probabilidade de ganho também estão associados a maiores riscos. E mesmo que a bolsa ainda continue caindo, como essa parcela não será usada em um futuro próximo, há tempo para recuperação.
Fábio Biral – Miura Investimentos

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