terça-feira, 8 de maio de 2012

Bolsa conquista os mais jovens - Fábio Biral da Miura Investimentos


O jornal Valor Econômico publicou matéria muito interessante hoje, sobre os jovens investidores. Atualmente há pouco mais de duas mil crianças com até 15 anos com investimentos na bolsa de valores, segundo dados mais recentes da BM&FBovespa. As contas das crianças nas corretoras são geralmente abertas pelos pais com os dados dos filhos. Celina Arruda Macedo, especialista em finanças, autora do livro "Filhos: seu melhor investimento" (Elsevier Editora) e mãe do Gustavo Arruda Macedo, explica que o contato com os investimentos desde cedo pode ser benéfico. "É necessário que a criança aprenda a lidar com o dinheiro", afirma. "Quando os pais ensinam aos poucos como investir, ela aprende a poupar. Pode ser pensando na aposentadoria, na faculdade ou em uma viagem ao exterior. Não importa, pois no longo prazo, a bolsa funciona muito bem". Gustavo investe na bolsa de valores há sete anos. Nada de extraordinário, não fosse o fato de que ele tem hoje apenas 15 anos de idade. O garoto acumulou R$ 15 mil ao direcionar de maneira rotineira parte da mesada à bolsa de valores.



Ele revela que sempre foi poupador ou "dinheirista", em suas palavras. "Quando era pequeno, era bem 'dinheirista', era chamado de pão-duro, porque não gostava de gastar", conta. Celina relata que nos Estados Unidos é comum os pais comprarem ações para os filhos. E eles, após determinada idade, em muitos casos começam a tomar decisões de investimentos por iniciativa própria. "Nessa etapa, os pais devem orientar, esclarecendo, por exemplo, os riscos da renda variável e perguntar quais empresas a criança admira, ou seja, quais ações ela gostaria de comprar", explica. No Brasil, o mercado acionário não é tão popular quanto nos EUA, de forma que é também pouco difundido entre crianças e adolescentes. Mas isso pode mudar. "A alta volatilidade do Índice Bovespa nos últimos anos deve reduzir o ritmo de crescimento das pessoas físicas na bolsa. Mesmo assim, acredito que a tendência é de aumento da participação infanto-juvenil entre os investidores, até como reflexo das muitas ações de educação financeira voltadas para o público infantil, incluindo algumas da própria BM&FBovespa", afirma Álvaro Modernell, especialista em educação financeira e membro do Grupo de Apoio Pedagógico na formulação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), uma iniciativa do governo federal. 


O especialista em educação financeira Modernell opina que é precipitado ensinar ao filho com menos de 12 anos a investir em ações. "Como instrumento didático, as contas de poupança são mais recomendadas nessa idade", argumenta. "Porém, a partir da adolescência é saudável que sejam apresentados outros instrumentos, inclusive ações". Até os 14 anos de idade, o especialista recomenda que o jovem tenha poucos ativos. No caso das ações, o conselho é optar pelas mais líquidas e de empresas relacionadas ao universo do filho, ou seja, que vendam algum produto ou serviço que a criança conheça. "Nessa fase, os objetivos não devem ser os resultados, mas o aprendizado. Os valores devem ser limitados." Celina enfatiza a importância de explicar à criança que, ao comprar uma ação, ela está adquirindo um "pedaço" de uma empresa. "As crianças adoram quando escutam que são donas de uma companhia", diz, ao acrescentar que não é preciso "complicar" na hora de ensinar. "É difícil explicar a uma criança porque um determinado papel está barato ou caro, por exemplo. A ideia é mesmo focar na relevância de se ter um plano de investimento, para atingir objetivos futuramente. Com o passar do tempo, quando tiver mais experiência, o jovem conseguirá escolher empresas e montar seu próprio portfólio", afirma.

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