segunda-feira, 14 de maio de 2012

BANCOS INTENSIFICAM O AUMENTO DE TARIFAS - Valor Econômico


Os dados dos quatro maiores bancos de capital aberto do país, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, apontam para uma alta de 17% na receita de tarifas e prestação de serviços no primeiro trimestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado. O ritmo de alta deste início de ano supera o crescimento anual observado em 2011 e 2010, de 13% e 14%, respectivamente.
Com o processo de fusões, maior regulação do Banco Central e pressão por aumento de salários, entre 2009 e 2011 os bancos perderam eficiência ao se comparar a relação entre as receitas de serviços e as despesas com pessoal. Se em 2009 os bancos tinham R$ 138 de receita com serviços para R$ 100 gastos em salários, a relação caiu para R$ 135 no ano passado. No primeiro trimestre, o índice subiu para 142%, ante 137% um ano antes.

Para ter acesso às melhores condições de juros, como o cheque especial de 3,94% ao mês, os clientes do Banco do Brasil terão que aceitar pagar de 36% a 52% mais em tarifas por seu pacote de serviços. Em empréstimos mais curtos e de menor valor, o custo mais alto com a tarifa pode anular a economia com os juros oferecidos no programa "Bom Pra Todos".
O gasto adicional com tarifa varia de R$ 73 a R$ 124 por ano.
Apenas como exemplo, trocar um empréstimo de R$ 1 mil com prazo de 12 meses com taxa de juros de 3,5% ao mês por outro de 2% ao mês, gera uma economia de R$ 107 ao longo do período.
Quanto maiores os valores e os prazos, mais relevantes passam a ser os juros menores.
"O pacote é por adesão, ele não é imposto a ninguém. Cada cliente vai analisar sua situação e ver se é bom para ele ou não", diz Dan Conrado, vice-presidente de varejo, distribuição e operações do Banco do Brasil.
Apesar dos nomes iguais e da cesta de serviços ser praticamente idêntica, o BB diz que os pacotes não são comparáveis. "O novo tem alguns serviços agregados como consultoria financeira", diz.
O banco destaca ainda que não é preciso aderir ao pacote "BomPra Todos" para ter redução dos juros no financiamento de veículos e no crédito pessoal, inclusive consignado. E que a maior parte dos benefícios ligados a taxas mais baixas para fundos de investimento também valem para todos os clientes. Até a semana passada, 160 mil clientes tinham aderido ao programa.
O BB informou ainda que manteve as tarifas entre 2008 e 2010, e que em 2011 e 2012 "realizou dois movimentos de correção", em percentuais, "em média", inferiores à inflação do período. Ainda assim, a receita do Banco do Brasil, apenas com pacotes de serviços, aumentou 45% entre 2009 e 2011, para R$ 3,25 bilhões, enquanto a base de correntistas cresceu 3%.
Segundo Conrado, o lançamento de pacotes de serviços que geram bônus para celular, que atraiu um público grande de clientes das classes mais baixas, ajuda a explicar a receita maior.
O Itaú Unibanco não deu entrevista sobre seus pacotes de serviços que garantem juros menores, mas que são mais caros que outros de mesmo nome oferecidos pelo banco. Informou apenas que os clientes devem observar o conteúdo de cada cesta de serviços.
Entre os três com mesmo nome, o "Simples" é o que possui mais diferenças. Por um preço 56% mais caro por mês, o número de folhas de cheque sobe de 12 para 20, o de saques em ATMs de 14 para 22 e o de transferências entre contas do banco sobe de 12 para 34. (Colaborou Carolina Mandl)

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