terça-feira, 17 de abril de 2012

Paul Krugman: Devolvendo o Gini à garrafa



Será que a política econômica é capaz de transformar a desigualdade? Em especial, será que os governos são capazes de reduzir a desigualdade sem assassinar a economia? Como parte da preparação para um curso, tenho analisado uma história que, ao que me parece, tem sido pouquíssimo debatida nos Estados Unidos, mas é no mínimo muito interessante: o notável declínio na desigualdade ocorrido na América Latina.
Espere aí – os países latino-americanos não são extremamente desiguais? Sim, eles – ainda – são. Mas esta desigualdade é hoje muito menos gritante do que já foi. Politicamente, a região avançou para a esquerda perto do ano 2000, voltando parcialmente as costas para o Consenso de Washington – e houve uma reversão dramática nas tendências que regem a desigualdade:

E quanto ao desempenho econômico? O estudo indicado no link acima divide os regimes em três tipos: os social-democráticos (o Brasil, por exemplo), os populistas de esquerda (Venezuela) e aqueles que não se situam à esquerda do centro. (LOC é a sigla para left of center. Na tradução: à esquerda do centro)
Há muito para ser analisado aqui, e não faltam perguntas a respeito da relevância disto para os países mais ricos. Mas quem se lembra de como a direita elogiou o sistema chileno de aposentadoria privada pouco tempo atrás? (Descobrimos que os próprios chilenos não se mostravam tão entusiasmados em relação a este sistema.) Bem, talvez nossos vizinhos do sul tenham uma lição diferente a nos ensinar.

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