quinta-feira, 22 de março de 2012

O Bem e o Mal na Entrada de Capitais - Renato Couto

Texto escrito pelo colega Renato Couto, do blog Se 1 Ler Tá Bom, texto de grande relevância. Fica a dica de leitura:

O Banco Central do Brasil tenho certeza, mantém dados atualizados, mas não os divulga na íntegra, senão por que a última informação de entrada de capitais no Brasil, disponível no site do BACEN, data do ano de 2000?

De lá para cá será que os números mudaram? Acredito que em valores (maiores atualmente), mas não em percentuais, o que chama a atenção, vejam só, é que países como Luxemburgo (3,44%), Ilhas Cayman (6,81%), Países Baixos (Holanda) (7,46%), Portugal (8,42%) e Espanha (32,1%), representaram os maiores exportadores de capital, junto com os Estados Unidos (18,7%). Some e veja que quase 77% dos recursos que entraram no Brasil, vieram desses países e parte dele (10,25%) veio dos mais que conhecidos paraísos fiscais, como Luxemburgo e Ilhas Cayman, que possuem a fama de "lavar bem branquinho" o seu dinheiro. Por quê? O motivo é um só: especulativo. A origem, porém, diversa, dependendo do ponto de vista, claro, senão também é só uma: roubo.

O capital oriundo dos países exceto EUA são provenientes de lavagem de dinheiro ou remessa seja ilegal ou imoral de lucros, que retornam limpinhos para investimento no maior cassino no planeta, afinal, quem paga juros como o Brasil? Então brasileiros, remetem (por exemplo) dinheiro (sem pagar imposto) para Luxemburgo e este volta ao Brasil para aplicação em fundos, bolsa de valores, títulos do governo, etc. O capital oriundo dos EUA, é mais sórdido: a maior gráfica do planeta imprime dinheiro, manda para o Brasil e ganha juros, ajudando a pagar a enorme dívida interna americana.

O expressivo número da Espanha (o maior exportador de capital para o Brasil no ano da análise) deve-se provavelmente ao grande braço do Santander presente em nosso território.

Por que acontece isso? A resposta vem com outra pergunta: Quem controla e entrada de capitais? No site do BACEN, você poderá ler em cada página: “Missão: Assegurar a estabilidade do nosso poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente”.

A independência do BACEN é fundamental para que este não seja instrumento do Estado, principalmente em razões de viés inflacionário, estabilizando preços (e moeda) mesmo que ao custo de objetivos de curto prazo, porém, esta independência não pode representar dependência do “grande capital” internacional.

E por que o governo deixa isso? Como gosto de dizer ao meu amigo Fialho, o governo também precisa pedalar sua bicicleta e necessita desse aporte para continuar a gerir sua imensa dívida interna, que cresceu 15% de 2010 para o recém finado ano de 2011. Ou seja, se temos um governo irrefutavelmente mais distributivista em relação as décadas de 70 e 80, a entrada de capitais ajudou de alguma forma na redução das desigualdades.

Qual a solução? Como nossa dívida está migrando de curto prazo para longo prazo, graças à confiabilidade internacional que o Brasil está adquirindo, podemos reduzir a taxa de juro (e parece que o governo está sinalizando isso), para que somente a remuneração em atividade produtiva renda algum plus ao rentista e o óbvio, combater tanto a sonegação como a remessa ilegal de divisas, pois o que não sair, não poderá voltar, na forma de um punhal sangrando juros da nação.
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Uma curiosidade: estava procurando uma imagem para ilustrar o post e digitei no Google "remessa ilegal de dinheiro", cliquei em imagens e me surpreendi (talvez não) de como aparecem tantas e tantas imagens do Ricardo Teixeira...
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Permitam-me mais uma observação: Segundo dados da ONU e seu braço no estudo de drogas e crimes (Organização das Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes (UNODC)), as drogas movimentaram ano passado no Brasil 1,5 bilhão de dólares e no mundo mais de 320 bilhões. Agora, fale sério, você acredita que esta montanha de dinheiro possa ser gerida e transferida sem utilização do sistema bancário mundial? E que o “Zé Ruela” da favela tem acesso a estas movimentações? 

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