quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Naji Robert Nahas, Comunidade do Pinheirinho, a Bolsa do Rio e a Operação Satiagraha – Por Frederico Matias Bacic



No último final de semana a cidade de São José dos Campos, no estado de São Paulo, foi palco de cenas de violência e resistência durante o processo de reintegração de posse do terreno onde está localizada a Comunidade do Pinheirinho. A comunidade, onde residiam mais de seis mil pessoas, reflexo do déficit habitacional da cidade, possuía associação de moradores, igrejas e espaços de lazer. Tudo isso em pouco mais de 7 anos de existência.


O processo de reintegração de posse se deu de forma violenta e extremamente confusa. O governo Federal buscou ganhar tempo para buscar outras soluções e ampliar as negociações, mas todos os esforços foram ignorados pelo Governo de São Paulo e municipal que liberaram a entrada da PM na comunidade, desencadeando uma série de conflitos.


Poderiam ter sido negociadas outras saídas, é fato. Poderiam ter determinado um prazo para a construção de casas populares, realizando a mudança dos moradores de maneira organizada e pacífica, mas optou-se por uma ação imediatista e truculenta. O pior de tudo foi o posicionamento do Governo Estadual que autorizou a ação da sua polícia para desabrigar mais de 6 mil cidadãos em beneficio de um “empresário” que tem a vida repleta de momentos obscuros, ligadas a fraudes, sonegação e crimes contra o sistema financeiro.


Naji Nahas, dono do terreno em questão, ficou nacionalmente conhecido depois de ter sido acusado como responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989. Nahas tomava emprestado de bancos e aplicava na bolsa, fazendo negócios consigo mesmo por meio de laranjas e corretores, inflando as cotações. Ante grandes valorizações de ações, os bancos pararam de lhe emprestar, causando quebra em cascata na bolsa do Rio.


No ano de 2008 Naji Nahas foi preso na operação Satiagraha. De acordo com a Polícia Federal,  Daniel Dantas e Naji Nahas comandavam duas organizações distintas, porém ambas voltadas a crimes no mercado financeiro. Gravações telefônicas realizadas pela PF flagraram Nahas orientando o seu operador de bolsa a comprar ações da Petrobras uma semana antes do anúncio da descoberta de um mega-campo de petróleo, entre os dias 7 e 8 de abril deste ano, apesar de os papéis estarem em queda, como alertava seu interlocutor. De acordo com o delegado do caso a compra seria baseada em informação privilegiada.


Para o governo de São Paulo um especulador irresponsável parece valer mais do que milhares de famílias, que precisam de um espaço para viver... Qual será a relação e os interesses que existem entre Naji Nahas e o Governador Geraldo Alckmin, para que o estado acatasse com esse grande “favor”?

Frederico Matias Bacic



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