segunda-feira, 21 de novembro de 2011

As empresas mais beneficiadas com a alta do dólar - Fábio Biral da Miura Investimentos

Texto de autoria de Fábio Biral da Miura Investimentos



A recente alta do dólar pode ser um pesadelo para quem tem viagem marcada para o exterior, mas, para muitas empresas com receitas oriundas de exportações, pode não haver melhor notícia. O câmbio é o principal fator para determinar a competitividade de um país frente ao mundo. Sempre que uma moeda se desvaloriza, as empresas locais tendem a produzir bens com preços mais competitivos em dólar. Já a conversão do dólar para a moeda local costuma ser mais vantajosa, já que com as mesmas vendas é possível gerar mais receitas.

Nessa linha de raciocínio, é possível montar estratégias na Bolsa de Valores que permitam consideráveis ganhos, pelo fato de grandes empresas serem beneficiadas por um ajuste. Atrás de oportunidades de investimento na bolsa, os analistas do Deutsche Bank analisaram as empresas que poderiam ser mais beneficiadas pela desvalorização do real. Os ganhadores óbvios da oscilação cambial, segundo noticia publicada na revista Exame seriam as empresas ligadas ao setor de commodities. O banco destacou Vale, CSN, Usiminas, Fibria, Suzano, Cosan, SLC Agrícola e a BrasilAgro.

Contudo, o banco fez a ressalva de que a alta do dólar está relacionada à crise financeira mundial e à saída de recursos do Brasil em direção a mercados tidos como mais seguros, como os Estados Unidos. Até o momento, os temores em relação à Europa não afetaram os preços das commodities, mas isso poderá acontecer principalmente se houver calote de algum país da região, o que atenuaria o efeito positivo da alta do dólar.

Devido a esses riscos, os analistas em entrevista a Exame sugerem de forma mais enfática o investimento em Cosan, já que as ações de empresas do setor agrícola estariam menos sujeitas aos desdobramentos da crise econômica mundial. Outra empresa destacada foi a Gerdau, que seria mais beneficiada pela alta do dólar devido à forte presença no mercado siderúrgico americano.

Já entre as empresas de bens manufaturados, o único destaque citado pelo Deutsche Bank foi a Embraer. A fabricante de aviões vive basicamente de exportações e seus balanços costumam melhorar nesses momentos.

Para as empresas ligadas ao mercado interno, o banco acredita que a alta do dólar não é uma notícia boa. Os produtos importados ou com cotação internacional baseada na moeda americana deverão ficar mais caros para os brasileiros, desestimulando o consumo.

Vale ressaltar que até agosto a moeda americana já acumulava uma alta de 8,4%. Analistas acreditam que o dólar possa dar um novo salto se a crise se agravar. No longo prazo, entretanto, haveria poucos motivos para uma apreciação acentuada da moeda americana, uma vez que a economia brasileira continua em um bom momento. Entretanto, o investidor deve aproveitar estas oportunidade e lucrar com elas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário