segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Benefício do Risco e Retorno no Longo Prazo - Por Fábio Biral da Miura Investimentos

Texto de autoria de Fábio Biral da Miura Investimentos



Os investidores que aceitaram correr mais risco aplicando parte dos recursos destinados à aposentadoria em ações de 2001 para cá saíram ganhando. Levantamento da consultoria NetQuant em parceria com a Towers Watson, realizado a pedido do jornal Valor Econômico, sobre o desempenho dos fundos de previdência privada aberta, mostra que as carteiras de renda fixa apresentaram ganho médio de 240,3%. Sendo que, o CDI (referencial da renda fixa), acumulou uma variação positiva de 299,4% no período. Porém, os fundos que possuem 49% de renda variável (limite máximo de alocação permitido pela legislação) foram os mais rentáveis nos últimos dez anos. Esses portfólios acumularam retorno médio de 263%, superior ao dos fundos de renda fixa. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA acumulou 88,69%. O momento atual, de queda da bolsa pode ser uma oportunidade para os investidores ampliarem a participação de renda variável na carteira de previdência. 


No período de dez anos encerrado em agosto deste ano, o Ibovespa passou de 12.840 pontos para 56.495 pontos. Isso incluindo os fracos desempenhos, como em 2002, com o temor dos investidores com a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2008, com o estouro da crise financeira mundial. Essa não é a única vantagem da renda variável. As carteiras de renda fixa renderam em média 1,60% ao ano abaixo do CDI. Parte dessa diferença é explicada pela cobrança de altas taxas de administração no segmento de varejo, afirma Marcelo Nazareth, sócio-diretor da NetQuant. "Por isso, é importante prestar atenção nas taxas de administração dos fundos, pois no longo prazo elas podem comprometer o rendimento", reforça Mello, da SulAmérica. Além disso, o resultado também reflete uma gestão mais passiva (que seguem determinados índices ou referenciais) das carteiras, que eram muito concentradas em papéis pós-fixados atrelados à taxa Selic, que beirava 19% ao ano em agosto de 2001. Com a queda da Selic, hoje rondando por volta de 12% ao ano e em tendência de queda, as taxas de administração passaram a ter um peso maior no retorno dos fundos, e os gestores tiveram que adotar uma estratégia mais ativa.

Para analistas, a alocação em ações faz sentido principalmente para os fundos de previdência conhecidos como ciclo de vida, em que o perfil das aplicações vai variando de acordo com o tempo e o horizonte de prazo de investimento de cada cliente. E como nos últimos meses a bolsa vem em uma trajetória de queda, está propícia para compras. Empresas que pagam bons dividendos podem ser uma ótima oportunidade para o longo prazo. Apenas a remuneração do dividendo pode render acima do desempenho da renda fixa.

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