sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Nenhum país da AL possui agenda de trabalho para a China, afirma pesquisador - Portal UNICAMP

Luiz Sugimoto Fotos: Antoninho Perri Edição das imagens: Rodrigo do Carmo




Cada um dos países da América Latina – e a região como um todo – precisa tomar medidas urgentes e imediatas com respeito à China, que está implicando em enormes desafios para todos. E chama a atenção que nenhum dos países possui uma agenda de trabalho de curto, médio e longo prazo para a nova potência, embora ela venha transformando a região de forma substantiva”, alerta Enrique Dussel Peters, professor da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) e pesquisador da Rede Mercosul de Pesquisas Econômicas.

Coordenador do Centro de Estudos China-México (Cechimex) da Unam, Peters estuda o tema há muitos anos, inclusive em parceria com instituições chinesas, e veio ao Instituto de Economia (IE) da Unicamp para o seminário “O Brasil e a América Latina frente à ascensão econômica chinesa”, organizado nesta quinta-feira pelo Centro de Estudos Avançados (CEAv), Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (Neit) e Rede Mercosul. “Venho compartilhar experiências e um estudo que acabamos de produzir, dentro da Rede Mercosul, conjuntamente com professores da Unicamp, Unam, Universidade de Buenos Aires e Universidade da República do Uruguai”.


Enrique Peters explanou sobre as relações social, econômica, comercial e de investimentos entre China e América Latina, bem como sobre particularidades apresentadas por cada país da região nestas relações. “A China já é o principal sócio comercial do Brasil (que negocia soja e minerais) e do Chile (com exportações maciças de cobre), e é o segundo sócio do México. Surpreendentemente, existe muita ignorância em relação a este sócio, é preciso que economistas, geógrafos, sociólogos, médicos, engenheiros conheçam e aprendam muito mais sobre a China”.

O pesquisador mexicano, por sua experiência, sugere a construção de uma agenda a partir do âmbito de cada país latino-americano e, com base nesses resultados nacionais, se chegar a uma agenda regional. “A agenda deve abranger muitos campos: infraestrutura, turismo, migração, pontes aéreas (há uma única empresa que mantém voo direto para a China). A China é uma ameaça ou uma oportunidade? Esse estudo da Rede Mercosul é muito pontual quanto a investimentos, comércio, projetos específicos. É um convite para que levemos a China mais a sério”.

O professor Fernando Sarti, diretor do Instituto de Economia, concedeu palestra sobre “Investimentos diretos no Brasil e o papel da China”. Na abertura do evento, lembrou que o IE participa da Rede Mercosul desde a fundação em 1999. “Já realizamos vários estudos e o mais recente é este sobre a China, que contou com financiamento do IDRC [International Development Research Centre] do Canadá e será publicado em livro dentro de poucas semanas. É um tema bastante caro, sendo que o estudo traz resultados importantes e algumas reflexões que devem ser aprofundadas futuramente”.

Pesquisador do Neit e também da Rede Mercosul, o professor Célio Hiratuka abordou os “Impactos da concorrência da China em terceiros mercados sobre as exportações brasileiras”. “A China é uma grande concorrente do Brasil em produtos manufaturados, principalmente no mercado latino-americano, mas também é grande compradora de produtos primários brasileiros. Esta é a maior contradição. De um lado, nosso país precisa tirar o máximo proveito de a China ser uma importante demandante de commodities, jogando os preços para cima e reduzindo a vulnerabilidade externa; e, de outro, posicionar-se bem para manter uma atividade industrial competitiva frente à ameaça chinesa, cujo grau de agressividade na concorrência é muito alto”.

O professor Pedro Paulo Funari, coordenador do CEAv da Unicamp, informou que o Grupo de Estudos Brasil-China, coordenado pelo professor Carlos Américo Pacheco, está programando uma série de ações para o próximo ano. “Está sendo preparado um livro de referência sobre as relações Brasil-China, com autores brasileiros e internacionais, e também uma coleção de livros traduzidos sobre aquele país, que são clássicos dos últimos vinte anos. No segundo semestre, teremos um evento público com enfoque não apenas acadêmico, mas também cultural, artístico e até mesmo culinário, aprofundando o conhecimento de um continente muito pouco explorado por nós”. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário