segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Michal Kalecki: Um pioneiro da teoria econômica




Kalecki foi um economista polonês, um dos pioneiros da crítica sistemática à doutrina do marginalismo. Ao mesmo tempo e independente de Keynes, demonstrou a fragilidade do princípio do equilíbrio automático da escola clássica e desenvolveu uma teoria da dinâmica capitalista e dos seus ciclos de conjuntura e crise.

Em 1933, publicou, em uma revista polonesa, o primeiro esboço de sua teoria “Próba-Teorri Koniunktury” ( “Esboço de Uma Teoria do Ciclo Econômico”), trabalho apresentado no mesmo ano uma conferência da Sociedade Internacional de Econometria na Holanda. Dois anos depois o trabalho foi publicado na revista Revue d’ Économie Politique e na revista norte-americana Econometrica. Era um dos primeiros modelos matemáticos construídos para explicar os ciclos econômicos de conjuntura, mas não despertou a atenção na época e foi completamente ofuscado, em 1936, pela publicação da Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda, de Keynes.


Kalecki akegava que o nível de atividade econômica depende dos investimentos: se eles aumentarem, subirão os níveis de atividade e emprego, haverá maior demanda por bens e também um aumento no lucros dos capitalistas. A demanda agregada aumentará se o Estado gastar mais do que arrecada e se o país conseguir exportar mais do que importa, mas a decisão básica continuará mas mãos dos capitalistas: se eles investirem, a produção e os lucros aumentarão até o ponto em que os lucros acumulados (a poupança) sejam equivalentes ao investimento. Por sua vez, a insuficiência do investimento em relação à poupança causa a contração da produção e a subutilização da capacidade produtiva.

Para Kaleck, o mundo capitalista e regido pelas decisões do empresária quanto a investir, pelo Estado quanto ao equilíbrio orçamentário e pelo comércio internacional. Nesse sistema, os ciclos de conjuntura são inevitáveis, mas a profundidade das crises e sua duração dependem de decisões políticas, e não apenas das forças cegas do mercado.
Frederico Matias Bacic

Um comentário:

  1. Nossas faculdades, de orientação neoclássica, que até mesmo torcem um pouco o nariz para Keynes, seria muito útil, se olhassem sem preconceito para as idéias desse polaco, um tanto marginalizado pelos filhos de Adam Smith...

    ResponderExcluir