segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um poucos sobre John Hicks o idealizador do IS-LM




Hicks nasceu na Inglaterra. Suas obras impressionam pela quantidade e diversidade, principalmente do meio econômico. Explorou a micro e macro, economia monetária, internacional, keynesiana, teoria do equilíbrio geral (entre outros). Além disso, suas obras tiveram grande influência, como por exemplo, o modelo IS-LM.

Para construir suas teses Hicks se baseou em Keynes. Ambos discordavam das abordagens neoclássica, pois para chegar ao equilíbrio teria um custo altíssimo, que consistia em eliminar da teoria qualquer representação realista dos problemas colocados pela passagem do tempo. Sendo assim, ambos realizaram uma análise dinâmica, levando em consideração o tempo. Nesse sentido, Hicks se espelha na Teoria Geral de Keynes, em que acredita que as decisões dos agentes são afetadas por suas expectativas e que o futuro não é estacionário, mas sim desconhecido. Desse modo, Hicks procura desenvolver uma teoria na qual os agentes deviam decidir, no presente, tomando em conta um passado irrevogável e um futuro.


Além disso, tanto Hicks quanto Keynes acreditam que a demanda por dinheiro desempenhavam um papel importante e estava relacionada à insegurança em relação ao futuro.

Mesmo com esses objetivos semelhantes, a abordagens dos dois foram um pouco distintas. Keynes, preocupado com o desemprego, dizia que a economia capitalista era capaz de oscilar, durante em certo tempo, em torno de um nível de emprego insuficiente para incorporar a totalidade de mão de obra disponível. Já no modelo de Hicks, apresentado em Valor e capital, a cada período de tempo, a economia atinge um equilíbrio geral (porém temporário), no sentido de que se obtém igualdade entre oferta e demanda em todos os mercados, inclusive no mercado de trabalho. 

No inicio de um novo período, eventuais mudanças nas expectativas afetarão as curvas de oferta e demanda, gerando um outro equilíbrio. Em sua teoria, não leva em conta o desemprego involuntário. Para Hicks, há duas formas de explicar o excesso de oferta: como o resultado de uma decisão, da parte do ofertante, de reter parte de sua mercadoria, deixando de vende – la no presente a preços mais baixos, na expectativa de vende – la no futuro a preços mais compensadores; e em segundo lugar, como o resultado de algum tipo de rigidez de preços.

Para Hicks, a Teoria Geral, é apenas moderadamente inovadora. Sendo assim, para Hicks, Keynes inova ao utilizar o método das expectativas e oferece algumas sugestões no sentido de torná-la mais operacional, uma vez que alguns resultados obtidos dependiam da alocação de hipóteses particulares. Este é o caso da abordagem da relação entre variações da renda e da taxa de juros. Hicks atribui a Keynes uma ênfase indevida na possibilidade de que um aumento no investimento resulte apenas em aumento do consumo e da renda, sem qualquer impacto sobre os preços e sobre a taxa de juros. Nesse sentido, em Keynes e os Clássicos, tomando o tema da relação entre renda e juros como fio condutor, Hicks introduz um modelo de equilíbrio geral capaz, segundo ele, de representar ao mesmo tempo as concepções clássicas e keynesiana.

Para essa construção, Hicks supõe salários nominais e preços dados. Com isso, a economia não poderia operar em pleno emprego. Além disso, introduz que variações na oferta de moeda podem afetar o nível de emprego. Nesse modelo, aumentos do investimento implicam aumentos da taxa de juros.

Sendo assim, o modelo IS-LM sintetiza os modelos clássico e keynesiano. Os resultados clássicos são obtidos quando o nível de renda é elevado. Já os resultados keynesianos prevalecem quando a economia opera a um baixo nível de atividade. E por esse motivo, Hicks afirma que a teoria de Keynes, em lugar de ser geral, é apenas a Teórica econômica da depressão.

O modelo IS-LM admite a possibilidade de que a renda de equilíbrio seja inferior aquela consistente com o pleno emprego. Porém, a exposição de Hicks é integralmente baseada na hipótese arbitraria de salários e preços dados. Com isso, obscurece o fato de que para Keynes o desemprego poderia ocorrer e despeito da flexibilidade dos salários.

 Ao longo de sua carreira, Hicks ocupou-se da tensão entre tempo e equilíbrio, entre dinâmica e estática. Jamais se sentiu satisfeito com as soluções propostas (tanto por ele quanto por outros economistas). Porém mesmo não levando em conta as hipóteses ortodoxas e heterodoxas (modelo não incorpora aspectos centrais da Teoria Geral), todos pensadores admitem que é imprescindível ler Hicks.

Frederico Matias Bacic

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