terça-feira, 13 de setembro de 2011

Obsolescência programada



Alguma vez você já falou ou ouviu a frase "as coisas não duram como antes"? Muito  provavelmente essa frase seja mais verdadeira do que você pensa. 

É verdade atualmente as coisas simplesmente não duram como antes, por que, por mais estranho que seja, isso foi acordado e decidido pelos fabricantes.

Existem  vários exemplos significativos sobre o tema, como quando os grandes fabricantes de componentes elétricos juntaram-se a  mais de 70 anos atrás, em um cartel para fazer as lâmpadas durem menos. As lâmpadas incandescentes tinham uma vida útil de até 8 mil horas, mas depois de acordos realizados entre as empresas do meio acordou-se que uma lâmpada não deveria ter uma vida maior que mil horas.

Este é um caso clássico de oligopólio, contra a qual o consumidor ou cliente tem muito pouco a fazer. Existe, também, o caso de impressoras, muitos das quais têm sistemas de vida é de um determinado número de cópias.

Outro exemplo muito significativo deste consumismo promovido pelos fabricantes é a demanda que a Apple criou na América. A primeira bateria do iPod durou 18 meses e o que é pior, a Apple não forneceu a capacidade de mudar, se quebrou você tinha que comprar um iPod novo. 

Outro caso foi muito representativo nas economias da Europa Oriental que estiveram sob influência soviética. Lá, geladeiras e máquinas de lavar roupa deveriam durar, por lei, pelo menos 25 anos. E eles fizeram. Quantos dispositivos nos temos que podem durar tanto tempo? Existe um exemplo de um proprietário de uma geladeira fabricada na Alemanha Oriental em 1985 que nunca havia trocado nem a lâmpada do aparelho.

É  obsolescência programada dos bens que garante sua constante troca, seja uma obsolescência pelo bem vir a quebrar ou uma obsolescência ligada à estética e design. Isto que garante o crescimento das vendas e da economia, chegando ao ponto de alguns economistas alegarem que a obsolescência deveria ser obrigatória por lei.  Nem precisamos dizer as conseqüências ambientais ligadas ao modelo de crescimento vigente é claro que os danos são imensos e em um mundo de recursos finitos esse modelo tem um limite de vida. O próprio modelo tem sua obsolescência planejada, quando os recursos se acabarem ele se acaba.

Frederico Matias Bacic

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