quinta-feira, 21 de julho de 2011

Donas de casa prenunciam fase difícil no Japão



Aki Ito | Bloomberg Businessweek
07/07/2011 Valor Economico

As mulheres japonesas têm, por tradição, de administrar os orçamentos dos lares no país. Cada dona de casa acompanha meticulosamente os gastos de sua família em seu "kakeibo", uma espécie de livro-caixa caseiro. Elas também acumulam tradicionalmente economias secretas ("hesokuri"), sobre as quais os maridos normalmente não sabem nada; essas economias caem do céu em dias de dificuldades.

Além disso - e o mais surpreendentes para os ocidentais -, as donas de casa do Japão concedem uma mesada para os maridos assalariados, a qual a maioria dos homens docilmente aceita. As esposas chegam até a determinar com quanto de seus bônus salariais bianuais eles poderão ficar.

Portanto, não admira que as decisões financeiras das donas de casa japonesas sejam observadas de perto como indicadoras da saúde da economia do país. A julgar por um estudo deste ano, a notícia é ruim. Em janeiro, uma pesquisa com as donas de casa feita pela seguradora Sompo Japan Insurance revelou que o valor das economias secretas mantidas por elas caiu 18% em 2010, para o menor nível em três anos.

Agora os maridos estão sentindo o problema. Segundo uma pesquisa da Shinsei Financial divulgada em 27 de junho, as mesadas dos assalariados encolheram para o menor nível desde 1982, uma vez que as esposas estão diminuindo os gastos domésticos numa economia que vem crescendo muito pouco. Os maridos estão recebendo em média 36.500 ienes (US$ 452) por mês de mesada, o que dá apenas US$ 15 por dia.

O crescimento da economia japonesa de menos de 1% na última década pressionou os salários, forçando as esposas a reduzir as mesadas. No ano passado, os lares japoneses gastaram em média 8% menos que em 2001.

O sensação de confiança nesses lares está no ponto mais baixo em dois anos, tornando menos provável uma recuperação da economia conduzida pelo consumo. "Isso me deixa um pouco triste", diz Hiroshi Miyazaki, principal economista da Shinkin Asset Management de Tóquio. "É o resultado de um período de deflação muito prolongado. Infelizmente, essa tendência vai continuar."

As mesadas dos trabalhadores atingiram o pico em 1990, junto com as bolhas de ações e do mercado imobiliário no país, com os homens recebendo 76.000 ienes por mês, mais que o dobro do que recebem hoje, segundo a pesquisa. As participantes disseram que hoje gastam a maior parte do dinheiro com comida - uma média de 490 ienes. Isso é igual ao preço de um cheeseburger duplo com batata frita pequena e um refrigerante no McDonald's. "As pessoas estão ficando cada vez mais austeras em suas atitudes em relação ao dinheiro", diz a Shinsei Financial no relatório.

Para economizar dinheiro, os assalariados consultados disseram que levam o almoço para o trabalho e comem menos. A fabricante de utensílios de cozinha Zojirushi aproveitou essa tendência com o lançamento de uma lancheira fina o suficiente para caber em uma pasta executiva.

Segundo a pesquisa, os homens comem fora 2,9 vezes por mês após o trabalho e gastam uma média de 3.540 ienes por vez. Isso se compara a mais de 6.000 ienes em 2009. A rede de pubs Watami é um dos negócios que vêm sofrendo com o maior esforço dos consumidores para gastar menos: as vendas em mesma loja da companhia caíram 6,4% em maio, em comparação ao mesmo período do ano passado.

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