terça-feira, 28 de junho de 2011

Marx: Qual papel da mercadoria na sociedade capitalista em termos de especificidade do trabalho e do valor?


Para que um determinado produto venha a se tornar uma mercadoria é preciso que esse cumpra três funções: ter valor de uso, não só para aquele que o criou, mas essencialmente para terceiros, pois se não o tivesse jamais seria trocado. O produto também tem de ter valor; de acordo com Marx o valor vem do tempo socialmente necessário para que aquele produto se realizasse, é esse valor que torna possível a realização da troca, já que os produtos seriam comparados de acordo com o tempo de trabalho socialmente necessário à sua produção.  E por último para que uma “coisa” se torne mercadoria é necessário que ela seja passada adiante por meio da troca de um produto de diferente qualidade. “Nessa sociedade, os bens são produzidos exclusivamente para a troca, de modo que não possuem“utilidade” para seus produtores senão na medida em que representam para outrem, (...)”


Uma mercadoria torna-se dinheiro quando: “A ação social de todas as outras mercadorias, portanto, exclui determinada mercadoria para nela representar universalmente os seus valores”. Quando por algum motivo social uma mercadoria começa a ser usada como referencia de valor para outras mercadorias ela passar a ser dinheiro. Exemplo:

20 varas de linho   =
1 Casaco               =
10 libras de chá     =
40 libras de café    =       Y de mercadoria C = Dinheiro
1 quarter de trigo   =
½ tonelada de ferro=
X mercadoria A     =

 O dinheiro é uma mercadoria homogenia, pois ele representa todas as outras mercadorias, desta maneira ele passa a ser um representante legitimo do trabalho da sociedade. A existência de uma mercadoria que fosse o equivalente geral facilitou a troca entre mercadorias. Antes alguém que tinha uma mercadoria A e queria uma C, só conseguiria efetuar a troca se a pessoa que tinha em poder a mercadoria C tivesse interesse pela mercadoria A, caso contrário a troca não seria bem sucedida. Com o dinheiro essas barreiras foram derrubadas, facilitando a realização das trocas.

Um capitalista tem como objetivo aumentar sempre o seu lucro, conseguindo assim acumular mais dinheiro, é através da venda da mercadoria que o capitalista extrai essa parcela de dinheiro. Um meio para que isso se realize é através do aumento da produtividade.  Tomaremos como exemplo a seguinte suposição, uma fábrica que produzia 5 unidades por hora e depois de uma melhora tecnológica passou a produzir 10 unidades por hora:
t0 = 5 unidades produzidas
t1=  10 unidades produzidas
Com o aumento da produtividade o capitalista conseguiu produzir 10 mercadorias, enquanto no passado ele conseguia apenas metade de unidades produzidas no mesmo período de tempo. Dessa maneira a mercadoria pode ser vendida com um preço mais atraente, em relação ao preço cobrado pelo concorrente, assim o capitalista conseguiria aumentar sua margem de lucro. O aumento da produtividade torna-se o motor para o processo de acumulação. “A acumulação não é, portando, uma questão de escolha individual. Trata-se de uma necessidade engendrada pela própria competição: uma luta em que os capitalistas procuram excluir-se uns aos outros do mercado. O progresso técnico é a arma utilizada por esses senhores para se esmagarem mutuamente".

O aumento da produtividade não trás apenas o aumento da lucratividade, também é responsável pela redução do tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de uma mercadoria, já que o tempo para a realização desta foi reduzido pela metade. A inserção de novas técnicas leva a queda da necessidade de manter uma grande quantidade de força de trabalho, isso gera uma massa de trabalhadores desnecessária, o que por sua vez leva a uma desigualdade entre as classes sociais.

Frederico Matias Bacic 

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