quinta-feira, 17 de março de 2011

Miriam Leitão: Setor público responde por 33% do PIB de 1.881 cidades

 





Miriam Leitão:


O IPEA divulgou ontem que o setor público responde por 21% dos empregos formais no país. Hoje, estudo do IBGE mostra que a administração pública é responsável por mais de um terço da economia em 1.881 municípios brasileiros, algo como 34% do total. Esse peso vem crescendo desde 2004, alerta do IBGE. A administração pública representa 80% da economia de Uiramutã (RR) e 70,2% da economia de Poço Dantas (PB), os dois casos mais extremos, segundo a pesquisa do IBGE, com base em 2007. E quem sustenta o peso dessa máquina pública

Comentário (Desabafo) de Frederico Matias Bacic:

Mais uma vez Miram Leitão nos surpreende com um comentário no mínimo simplista e pouco desenvolvido. Sempre que estou sem idéias para postar nesse blog me aventuro pelas colunas ( as vezes um tanto quanto cômicas) escritas pela Miriam Leitão em seu blog, sempre consigo uma boa inspiração para criar uma nova postagem.



No final da curta postagem a autora questiona: “E quem sustenta o peso dessa máquina pública?” como se isso fosse um grande entrave para as pessoas e para o desenvolvimento econômico, porém não pára para pensar que o setor público emprega 21% dos trabalhadores formais no Brasil, dos 37,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada (CLT) e estatutários, cerca de 8 milhões trabalham na chamada administração direta. Se somados os servidores da administração direta, indireta e empresas estatais, o número de empregados do setor público sobe para 10 milhões. O que seria dessas pessoas se o Estado fosse reduzido? Com o PIB desses milhares de municípios sem o Estado? Imagine o que aconteceria se o emprego público fosse reduzido drasticamente em um município no qual o Setor público responde por 33% do PIB? Acredito que no mínimo a cidade passaria por um grande perrengue. Imagine a seguinte situação: Uma cidade, dessas do título do post, tem o número de funcionários públicos reduzido drasticamente, o consumo da cidade reduziria ( em muito já que o empre público tem um peso tão grande no PIB municipal), a queda no consumo levaria outros setores a demitir seus funcionários, gerando um grande efeito dominó.

Além de tudo ela se esquece de dizer que o numero de funcionários públicos no Brasil a cada 100 mil habitante é inferior a qualquer país da América Latina, e muito inferior ao de paises mais desenvolvidos como Estados Unidos e paises europeus. Do jeito que ela fala parece que todo o dinheiro arrecadado vai para o pagamento de folha salarial de funcionários públicos e que é isso que freia o nosso desenvolvimento econômico. O Brasil tem uma média de gastos nos últimos anos nas seguintes áreas de:



Podemos ver logo de cara que a Folha de Pagamento não é o maior item nas despesas e está muito longe do primeiro colocado, a despesa com juros! Existe essa variável a ser minimizada antes de sair falando por ai que o Estado é grande. Fora isso Miriam Leitão esquece de informar seus leitores que a carga tributária vem crescendo nos últimos anos e as despesas do governo com pessoal não cresceu na mesma proporção. Em 1995 a relação entre Despesa de Pessoal e Receita Corrente Líquida era de 56,21 % em dez anos essa relação passou para 30,08 %, como podemos ver na tabela abaixo:



É triste ver uma jornalista que informa milhões de brasileiros todos os dias simplificar o “porquê das coisas” e querendo ou não transforma seus leitores em pessoas não pensantes e sem capacidade de enxergar os fatos.
E nem os gastos com saúde e educação cresceram na mesma proporção da carga tributária nos últimos anos como vocês podem, já os gastos com juros não preciso nem comentar. Para os interessados vejam a tabela que fiz comparando o pagamento de juros com os gastos em saúde e educação pública de 1995 a 2006:

Comparação entre os gastos com Juros da Dívida Pública Saúde e Educação Pública, entre 1995 e 2006

 

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