quarta-feira, 30 de março de 2011

José Alencar: Morre um dos grandes críticos da alta taxa de juros praticadas pelo Banco Central


José Alencar Gomes da Silva nasceu no município de Muriaé, em Minas Gerais, no dia 17 de outubro de 1931. Era o 11º filho de um total de 15 do comerciante Antônio Gomes da Silva e da dona de casa Dolores Peres Gomes da Silva.

Na adolescência, trabalhou como balconista e vendedor. Aos 18 anos, foi emancipado pelo pai, pegou dinheiro emprestado com o irmão mais velho, Geraldo Gomes, e abriu a própria empresa A Queimadeira, onde vendia tecidos, calçados, chapéus e guarda-chuvas.

Em 1953, tornou-se representante comercial de um fabricante de tecidos do Rio de Janeiro. Seis anos depois, o jovem empresário assumiu os negócios do irmão que morreu.

Em 1967, em parceria com o empresário do ramo de algodão e deputado Luiz de Paula Ferreira, ele fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a Coteminas, que anos depois se tornaria um dos maiores grupos têxteis do Brasil. Em 1975, Alencar inaugurou a mais moderna fábrica de fiação e tecidos do Brasil.


Sempre teve um vida política ativa, tendo sido eleito senador pelo estado de Minas Gerais. Em 2002 assumiu a vice-presidência ao lado do presidente Lula e dentro dos oito anos nos quais assumiu o cargo de vice presidente sempre foi um grande crítico do Banco Central, do regime de metas de inflação e  das altas taxas de juros que sufocam o desenvolvimento econômico brasileiro. Ao longo do governo viu a taxa SELIC cair de cerca de 25%, para menos de 10% em alguns períodos, mas mesmo assim se mantinham como a mais alta taxa praticada por um Banco Central no mundo.
Ironia ou não ele deixa essa vida em um momento de retomada da alta da taxa SELIC.

Abaixo algumas frases em relação aos juros ditas pelo ex-vice-presidente:

"Esses juros são um assalto."7 de maio de 2003

"É evidente que a política monetária está errada. Essa política não é austera do ponto de vista fiscal. Em 2003 gastamos R$ 145 bilhões com pagamento de juros. Em 2004, foram R$ 128 bilhões e, para esse ano, a previsão é de R$ 152 bilhões. A soma dos três anos equivale a mais de R$ 420 bilhões, ou mais de R$ 140 bilhões por ano. Isso, do ponto de vista nominal, é, no mínimo, o dobro do que poderia ser. Poderíamos ter economizado R$ 210 bilhões e estaríamos em outro mundo em matéria de saúde, educação. Não há nada de prioritário que não pudéssemos atender."11 de fevereiro de 2005

"O único erro que eu acho e bato contra é a política monetária. Aliás, a professora Maria da Conceição Tavares tachou a política monetária brasileira de imbecil. Eu tenho falado que é equivocada. Eu não cheguei a esse adjetivo, mas ao lado dela eu estarei bem acompanhado, porque é uma das que mais conhecem economia."21 de abril de 2008

Frederico Matias Bacic

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