quinta-feira, 17 de março de 2011

Crítica ao texto: Socialismo e Comunismo: Experimento Interessante Ocorrido em 1931


Um professor de economia na Universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.



Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo’.



O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.”



Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam ‘justas. ‘ Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um “A”…



Depois que a média das primeiras provas foi tirada, todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.



Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas.







Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi “D”.

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”.

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe.

A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.

No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano… Para total surpresa deles.

O professor explicou que o experimento socialista tinha fracassado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foram o resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

“Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.

Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.

O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao início do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.
Este texto foi escrito pelo Professor Paulo Lindgren

Minhas considerações sobre o texto lido:

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.”

Frase correta, porém completamente falaciosa, dado que não se aplica à realidade. Políticas de redistribuição de renda eficientes são orientadas à equidistribuição de oportunidades, jamais à “prosperidade dos pobres”. Isso porque elas miram o futuro e não o presente.

Trata-se de assegurar que filhos do pobre e do rico tenham oportunidades iguais por meio da saúde e da educação e então tenham liberdade de decidir o que querem para si. Numa sociedade com mais oportunidades todos ganham, ricos e pobres. Qualquer análise de distribuição de renda focada exclusivamente nas condições presentes, como se  tratasse de tirar de um para dar a outro, é pura tolice. O efeito da distribuição é dinâmico, não estático. A história do mundo desenvolvido mostra isso.

“Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.”

Isso é óbvio. Por isso nenhum programa de distribuição de renda deve estimular o ócio (muito embora vários países paguem para trabalhadores desempregados ficarem em casa estudando). A frase é uma objeção ao ócio e não aos programas de distribuição de riqueza. De resto, uma objeção mal colocada, pois desconsidera a questão da educação, além de outras de opção política, por ex. os subsídios públicos a aposentados, desempregados, mulheres, etc.

“O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.”

Correto do ponto de vista estático, errado do ponto de vista dinâmico. Ao distribuir riqueza criando igualdade de oportunidades, o governo faz exatamente isso. Os filhos dos pobres que conseguem prosperar graças a esses programas geram mais riqueza à nação, e por isso não implicam ônus para os filhos dos ricos. Desconheço qualquer reclamação dos herdeiros de Rockefeller, Morgan, Renault ou Bosch quanto à redução do seu quinhão em função das políticas redistributivas adotadas nesses países.

“Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao início do fim de uma nação.”

De fato. E quando metade da população entende a idéia de que não adianta trabalhar pois nunca chegará aos pés da outra metade, também chegaremos ao fim de uma nação. Nações pressupõem igualdade de direitos e oportunidades. Não existe uma nação quando uma parte da população é alijada de oportunidades. Existe guerra civil, declarada ou não. É o que vivemos hoje no Brasil.
“É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”

Absurdo completo do ponto de vista teórico e empírico. EUA, Europa, Israel e Japão chegaram aonde chegaram fazendo exatamente isso. Aliás, é a única coisa que todos esses países têm em comum: a convicção de que para crescer é preciso democratizar as oportunidades.

Perdoem-me a insistência nesses pontos, senhores, respeito seus pontos de vista, mas temo sinceramente pelas conclusões, pois creio que criticar o socialismo nesses termos é defender o liberalismo. E só há uma coisa que me tira mais do sério do que chavões esquerdistas, e é o trololó liberal. Pois esquerdismo é quase uma doença mental, particularmente contagiosa na adolescência, então você não espera muito mesmo de alguém que acredita nessas coisas. Mas combater o socialismo com falácias liberais é de doer. Já repararam que não existe Pátria nesses modelos, não existe interesse nacional, tudo o que existem são classes sociais, ou “trabalhadores” e “ociosos”? Onde foi parar o nacionalismo? Desde quando o bem-estar de um punhado de indivíduos se sobrepõe ao das gerações futuras de uma nação? Puras falácias, é o que são na minha opinião. E a falsidade dos argumentos socialistas não as torna mais verdadeiras, muito pelo contrário.

O Brasil já sentiu na pele o que são essas mentiras. Até bem pouco tempo atrás éramos uma potência de fato e de direito, em franca expansão e cheios de oportunidades. Esse era o país sonhado por nosso chefes militares. Mas bastou uma crise e depois uma cacetada de liberalismo para fazer o povo aqui eleger o PT e flertar com o socialismo. Sim senhor, pois é isso o que acontece quando se desmonta o Estado e se destrói o sonho de um país grande no futuro – ao invés de riqueza, o que se gera é ressentimento, não por acaso o terreno favorito para o florescimento da erva daninha esquerdista.

Por isso, francamente, penso que não dá mais. Se queremos sepultar o socialismo de vez, temos de começar enterrando também seu primo-irmão utópico chamado liberalismo. E botar na cabeça de uma vez por todas que se queremos transformar o Brasil em uma potência respeitada lá fora, primeiro temos de nos respeitar também, e isso significa cuidar das próximas gerações para fortalecer a cidadania e o patriotismo no país. E isso implica democratizar as oportunidades de alguma forma. Isso não significa que todo programa do governo esteja isento de críticas, muito pelo contrário. Mas no nosso caso específico, ainda penso que fazer errado é melhor que não fazer nada. Pois se não fizermos alguma coisa logo, podem se preparar, logo teremos outro Chávez em breve por aqui também. E daí sim, senhores, sentiremos na pele o que é “tirar de todo mundo” para fazer a alegria de meia dúzia de pulhas encastelados no poder.

Frederico Matias Bacic

9 comentários:

  1. Excelente texto! Também oportunas considerações! Entretanto... este texto nunca foi de minha autoria!!! Ass.: Prof. Paulo Lindgren

    ResponderExcluir
  2. Essa ideia de fomentar o nacionalismo para o desenvolvimento da nação é muito atrasada, surgiu na idade moderna e só conseguiu distanciar os povos, propiciar duas grandes guerras e diversos conflitos entre as nações!

    ResponderExcluir
  3. Este experimento é falho por um simples motivo: as notas dos alunos, em escolas públicas e particulares do Brasil, só poderiam chegar até o valor 10, e principalmente porque a diferença entre a menor nota (0) para a maior nota (10) só pode ser justamente o valor 10.

    No atual sistema em que vivemos não há limite desta espécie entre os grupos que auferem os maiores ganhos, pois a possibilidade de auferir valores dentre aqueles que ganham as “maiores notas” (que auferem os maiores lucros) se dá em escala infinita. Ou seja, o sujeito empreendedor, o empresário etc., pode tanto ganhar dez vezes mais como ele pode ganhar mil vezes mais, um milhão de vezes mais em comparação com determinadas categorias de trabalhadores que ganham menos.

    Para que este experimento pudesse lograr êxito, não poderia haver este limite de notas ao valor dez. Ao contrário, as notas deveriam se dar em escala infinita, pois com base na lógica de um mérito que é próprio dos sistemas capitalistas, os alunos mais estudiosos (na comparação com os grandes empresários), ao estudarem e serem avaliados deveriam, eles próprios (os alunos mais esforçados e inteligentes), determinar o tanto de questões que suportariam fazer por meio de critérios subjetivos, próprios do sujeito tais como sua capacidade, habilidades, conhecimentos e limites pessoais, de modo que ao final de seu teste, o tanto de questões que ele próprio escolheu fazer por determinação da sua vontade, e consoante com suas capacidades e limites, pudesse dar a ele a verdadeira dimensão de uma avaliação que levasse em conta seu verdadeiro mérito, a recompensa por um esforço que é fruto de seu próprio trabalho e que lhe auferisse o tanto de pontos que o próprio aluno conquistou ao determinar o tanto de questões que ele julgou que seria capaz e suportaria fazer, podendo esta nota chegar a cem, mil, quinze mil e assim sucessivamente, em escala infinita.

    Não é possível querer comparar o malogro do regime comunista, em comparação ao sistema capitalista, com um sistema de distribuição de notas cuja diferença entre as notas mínima e máxima só podem chegar, sempre, ao valor 10. Porque, repito, dentro desta lógica de mérito do sistema capitalista, não há limite algum entre o salário de quem ganha menos em comparação ao que ganha mais

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Talvez alguém ofereça como resposta o seguinte, que o limite de valor dez para a maior nota possível se explica precisamente porque o experimento em análise se inicia e se encerra dentro da própria lógica do regime comunista, em que o potencial humano é limitado pelo próprio sistema em si mesmo. Ok. Mas ainda resta uma indagação: se as notas são “distribuídas pelos próprios alunos entre si”, em que se diz que, em um primeiro momento a nota dos mais inteligentes foi uma, e depois da distribuição passou a ser outra (devido à fórmula aritmética do professor), então quer dizer que a alusão ao sistema comunista só pode ser feita nesta segunda etapa em que ocorre a distribuição de notas. Mas e no primeiro momento, em que os alunos são avaliados individualmente, antes da distribuição de notas? Que sistema teríamos neste primeiro momento? Ora, parece-me claro que o dito experimento se faz em duas etapas:

      1ª – quando os alunos mais inteligentes, por mérito próprio, recebem as notas mais altas em virtude de seu esforço;

      2ª – quando os alunos menos inteligentes, sem mérito algum, recebem valor a mais em sua nota final em razão desta distribuição.

      A mim ressoa evidente que o primeiro momento diz respeito à lógica de retribuição de recompensa dentro de um sistema capitalista, e que o segundo momento diz respeito ao regime comunista. Isso nos mostra que o referido experimento continua falho, já que ainda continua limitando o maior valor possível ao número dez, e que na comparação com o menor valor (nota), a cifra continua sendo exatamente dez.

      Excluir
    2. O segundo ponto falho deste experimento é que quem distribui as notas, de modo involuntário e a contragosto, são os próprios alunos entre si por intermédio de uma intervenção do professor que faz essa distribuição através de uma fórmula aritmética. Ora, o professor neste exemplo, seria, ele próprio, a figura e representação do Estado comunista, e os alunos (mais inteligentes e menos inteligentes) uma representação dos trabalhadores dentro deste sistema. Para que houvesse alguma aproximação ou similaridade entre este experimento em sala de aula e o comunismo, cumpre haver o seguinte:

      1ª – nem os alunos mais inteligentes nem os menos inteligentes auferem notas por conta de seu trabalho, esforço, inteligência, capacidade e limites pessoais; ao contrário, eles fazem questões dentro de um quadro pré-estabelecido pelo “professor-Estado”, em que todos, sem distinção, fazem o mesmo número de questões, cujo montante total vai todo para o Estado (representado na figura do professor), e este, por sua vez, redistribui a menor parcela de notas, desse montante total, para os alunos que as receberão divididas em valores iguais de acordo com contrato previamente acordado entre as partes (de modo a nunca restar dúvida alguma quanto ao valor a se receber), ficando a maior parcela com o próprio professor, o Estado.

      Em um sistema de “avaliação e distribuição de notas comunista”, poderíamos dizer que todos os alunos - mais inteligentes e mais esforçados ou menos inteligentes e menos esforçados – fariam REPETIDAMENTE as mesmas questões, todos os dias, de maneira mecânica, de modo que o hábito da repetição sobre as mesmas questões tornasse inviável ou até mesmo impossível o erro. Pois assim era o trabalho em um regime comunista: todos os dias se fazia o mesmo de um trabalho que, antes de executado, era treinado. É mais ou menos como o produtor do campo, que antes de colher o trigo de uma plantação aprender a separar o joio, a fazer a colheita e a produzir a farinha. Isto, uma vez aprendido, torna o erro inviável, e ao mesmo tempo dá a certeza de que todos os produtores do campo, ao realizarem suas tarefas, irão tirar, sempre, “as mesmas notas”. O mesmo ocorre no trabalho da fábrica, das empresas, grandes indústrias, etc.

      Excluir
    3. 2ª – Outro ponto importante que abordei de forma breve no apontamento anterior, é que o próprio salário (nota) que o trabalhador (estudante) irá receber já é previamente acordado em contrato, onde ele irá receber, sempre, aquele valor por tanto de dias trabalhados. Não apenas ele, mas todos os demais. Numa comparação, poderíamos dizer que o dito estudante comunista faz no total de um mês trabalhado, em regime de oito horas diárias, um total de mil questões para responder perguntas são sempre as mesmas, e repetida diariamente de forma intensa, tornando o erro algo improvável em vista da própria mecanicidade com que as responde, e ao mesmo tempo mostrando que ao final do mês, todos os “estudantes-trabalhadores” irão auferir basicamente a mesma nota. Deste total de mil notas acertadas por cada um destes alunos “comunistas”, apenas dez retornam a eles como forma de retribuição pelo trabalho prestado ao Estado comunista, por responder, mês a mês, as mesmíssimas e já manjadas questões, as demais novecentas e noventa questões ficam todas concentradas com o Estado.

      Isso, basicamente, seria um experimento comunista em sala de aula. Os alunos nunca, jamais, ficariam com menos ou mais notas em relação uns aos outros, pois antes de pisar os pés na sala de aula, o “professor-Estado” sentaria com cada um destes alunos para acordar os termos das atividades e assinar contrato em que seria firmado exatamente o tanto de questões que cada aluno teria que fazer e o tanto de notas que receberia em troca por fazer estas questões. E antes mesmo de realizá-las, cada aluno receberia treinamento de modo que pudesse responder a cada uma destas questões com facilidade, e o próprio hábito e a mecanicidade de fazer, sempre, todos os dias, as mesmas questões, tornaria impossível o erro e, consequentemente, a diferenciação de notas, já que em um sistema de produção comunista se tem, basicamente, a realização das mesmas atividades todos os dias da semana.

      Não quis, com essa exposição, tecer um juízo de valor sobre comunismo ou capitalismo baseado nesta dicotomia bom-ruim. Pelo contrário, mostrei que essa suposta e hipotética experiência do tal professor em sala de aula, para tentar reproduzir o malogro do comunismo por meio de uma distribuição de notas entre os alunos, é inconsistente! É falha! Repleta de equívocos que de modo algum se assemelham ao que de fato foi o comunismo enquanto experiência no início do século XX.

      Excluir
    4. Por fim, um último erro que acabei de observar.

      Neste dito experimento, o professor-Estado não fica com absolutamente nenhuma nota pra si. Não há, por parte do professor, nenhuma intenção em explorar os alunos-trabalhadores de modo que estes produzam para ele, o professor-estado, um tanto de notas mensalmente de modo que, ao final do mês, o montante total de notas fica com o professor e a menor parcela com o total de alunos.

      Assim que funcionava no regime comunista. Os trabalhadores eram explorados pelo Estado, prestavam serviços a ele e o resultado final desse trabalho ficava quase todo com o Estado comunista.

      No tal experimento, tudo é feito e compartilhado (a contragosto) pelos próprios alunos. A intervenção do professor se limita apenas a aplicar uma fórmula matemática para dar a estes alunos a repartição das notas.

      Excluir
    5. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir