sábado, 19 de março de 2011

Celso Furtado


Introdução
Celso Furtado foi um dos representantes mais importantes do pensamento econômico do Brasil. Tendo vivido, e participado – quando foi ministro do planejamento do governo Goulart, entre outros de seus cargos –, de boa parte das transformações sócio-econômicas mais importantes da historia desse país, suas obras contribuíram muito para a compreensão da evolução da economia brasileira e deixaram um legado no pensamento econômico brasileiro, pois até hoje em dia muitos intelectuais, políticos e economistas se valem de suas idéias e suas obras influenciam até hoje o pensamento econômico brasileiro. Segundo muitos estudiosos, ele foi um expoente do Desenvolvimentismo no país, foi um dos primeiros a defender o Intervencionismo Keynesiano na economia brasileira e, o primeiro no Brasil, a desenvolver um modelo de análise baseado na Heterodoxia Estruturalista.



Um estudo sobre Celso Furtado

Vários definem Celso Furtado como sendo um teórico desenvolvimentista de herança Keynesiana. De fato, ele defendia a tese keynesiana de um estado intervencionista como sendo algo necessário e fundamental para que a economia supere o seu estado de subdesenvolvimento por meio da industrialização. Ou seja, ela ia contra a teoria ortodoxa liberal, de o Brasil ser um país agrário-exportador que vive uma fase, um estágio evolutivo, e que iria evoluir, conforme o país adotasse o modelo liberal de desenvolvimento – aquele adotado pelos países centrais –, gradativamente e assim, o país iria superar esse estágio e alcançar o seu estágio desenvolvido, eis a base do conceito de país em desenvolvimento.
Furtado ia totalmente contra esse conceito de etapas e país em desenvolvimento, a questão chave para ele estava na inserção atrasada que o Brasil e os países da America Latina tiveram na etapa evolutiva na qual se encontrava o capitalismo e logo, jamais poderiam alcançar os países centrais adotando o mesmo modelo deles. Era, portanto, estritamente necessária a presença do estado como agente regulador e único capaz de direcionar o capital estrangeiro – necessário, pois o capital nacional era insuficiente e fraco, para financiar os investimentos em escala que eram necessários para que o país desse o chamado “salto”– rumo ao desenvolvimento industrial da economia nacional. Para ele o país não poderia ter sua dinâmica ditada por agentes externos.
Entre suas obras mais importantes citam-se a Formação Econômica do Brasil e Desenvolvimento e Subdesenvolvimento. Na Formação Econômica do Brasil ele “dissecou” toda a evolução do crescimento da economia brasileira, sendo a sua mais renomada obra, é nela que ele, melhor do que qualquer outro estudioso – pode-se citar Caio Prado Jr. e Roberto Simonsen que na mesma época fizeram obras semelhantes a de Furtado – reúne toda a evolução da economia brasileira de forma histórica e coesa, aonde todas as etapas desde a era colonial até a industrialização por substituição de importações, são explicadas de forma que se pode visualizar toda a dinâmica desse processo pelo qual o país passou.
É nessa obra que ele faz sua mais importante contribuição para o entendimento da evolução econômica brasileira e de sua industrialização: a dinâmica do café. É pelo entendimento de como essa dinâmica do café que Furtado vai compreender como se deu o inicio do processo de evolução urbano-industrial nacional, desde a industria marginal que se formava para suprir as necessidades da industria cafeeira até o inicio de um processo de acumulação que se foi alcançado durante as varias crises de superprodução deste produto, chegando a um ponto em que essa acumulação tornou possível a industrial tomar posse da dinâmica econômica do país. Levando-se e conta claro, a participação ativa do Estado durante todo esse processo, como defensor da economia cafeeira até incentivador do desenvolvimento urbano-industrial.
É pela abordagem dada ao processo evolutivo da economia brasileira em sua obra que se observa sua herança keynesiana e sua forma de análise teórica baseada no método histórico-indutivo, no qual por meio da análise histórica de uma nação se fazia as indagações e disso se tiravam as conclusões e tentava-se estabelecer uma estratégia de desenvolvimento que levasse a economia a superar o seu estado de subdesenvolvimento. Outro fator que se deve levar em conta é a influência que seu estudo teve.
A Formação Economia do Brasil era para ser um texto introdutório que iria ser apenas um esboço histórico do processo evolutivo brasileiro. Ele elaborou esse “esboço” em Cambridge, no auge do pensamento Keynesiano, e logicamente, teve grande influência de pensadores keynesianos.
Citam-se entre ele Kaldor e seu modelo de desenvolvimento keynesiano que dava ênfase à distribuição de renda, tema esse amplamente abordado por Furtado ao estudar o desenvolvimento brasileiro já que em vários momentos ele aponta para as diferenças sócias no nordeste e nas diferenças entre cidade e campo.
E pode se citar também Joan Robinson que teve grande influencia teórica sobre Furtado, seus conceitos eclético-keynesianos como descrevem alguns estudiosos foram utilizados por Furtado em suas análises, na qual ele rejeitava a teoria de valor-trabalho e os conceitos clássicos básicos. Porém ao mesmo tempo Furtado tentava se manter neutro entre as escolas ortodoxas (neoclássicas) e as heterodoxas (marxistas), pois sua inserção política no Brasil, de certa forma, exigia essa neutralidade, se quisesse que suas idéias desenvolvimentistas fossem aplicadas, ele não poderia ser visto como um comunista jamais, e a tese keynesiana caminha por essa escola em certos pontos.

A teoria do Subdesenvolvimento

Fruto de seus debates com Raul Prebisch na CEPAL, órgão do qual participou da fundação, a teoria do subdesenvolvimento foi uma de suas maiores contribuições teóricas. Essa teoria era uma nova abordagem do modelo centro-periferia, na qual a abordagem descartava a tese ortodoxa de estágios evolutivos da economia, e defendia os interesses da periferia, visando a superação do subdesenvolvimento, para isto era necessária a industrialização da economia de forma mais rápida, ditada pelo estado e com um alto grau de capital, para que dessa forma os países conseguissem alcançar o estado de desenvolvimento. Essa teoria com base em dados históricos demonstrava que o modelo ortodoxo do status quo e do livre comércio era falho e incapaz de levar as nações periféricas ao desenvolvimento, e que somente trazia desvantagens as essas nações. Seus pressupostos eram de que os países subdesenvolvidos se encontravam fora das leis de mercado e que tendiam a permanecer como países agrário-exportadores, o que só levaria a perpetuação de seu atraso e subdesenvolvimento. Cabe aos Estados, portanto o papel de ditar a dinâmica dessas economias e levá-las à um estado de desenvolvimento, impulsionando a industrialização.


Gabriel Sarmento Eid

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