quarta-feira, 16 de março de 2011

Apagão: Dúvida que me apareceu

Artigo publicado na quarta-feira, 11 de novembro de 2009

 

Ao ler uma notícia, publicada hoje no portal UOL Economia, pelo periódico Valor Econômico, me surgiu uma grande dúvida. De acordo como a jornalista Bianca Ribeiro “o apagão de energia elétrica, que tomou de assalto vários Estados do país na noite de ontem, é parte das justificativas para a alta das taxas de Depósitos Interbancários (DIs) na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) nesta quarta”.

De acordo como a notícia gestores do segmento e analistas da BM&F comentam que “o componente de incerteza sobre as razões que levaram ao apagão tendem a elevar as taxas. "Mesmo que os reservatórios estejam cheios, comenta-se que o sistema de transmissão estaria no limite e sendo muito exigido por uma forte demanda", diz um gestor de um banco em São Paulo. Um excesso de demanda sempre pressupõe risco inflacionário e exigiria uma nova calibragem da política de juros no país”.


Entendo por “ calibragem da política de juros” que o mercado espera que a taxa básica de juros saia da tendência de queda dos últimos meses para um período de elevação, a fim de controlar a demanda por energia e não gerar inflação e um novo caos energético no país.




Um aumento da taxa de juros faria como que o investimento fosse encarecido e desestimulado, incluindo o investimento no sistema de transmissão de energia, já a demanda da população não seria afetada, pois não se compra energia elétrica a crédito; no máximo afetaria a demanda das fábricas por energia, já que a produção seria desestimulada com o aumento da taxa de juros. Ou seja, se o argumento do aumento da taxa de juros for mesmo para conter a demanda por energia elétrica e por sua vez controlar o risco da inflação, então a decisão que o mercado espera que seja tomada tende a provocar o efeito exatamente contrário no longo prazo. Isso porque desestimula investimentos, que seria a verdadeira arma para garantir que a oferta corra à frente da demanda e portanto, evite pressões inflacionárias futuras, gerando novas crises energéticas no país.

Não vejo que esse apagão levará o governo a aumentar a taxa de juros, como os analistas da BM&F, para reter a demanda e desafogar o sistema de transmissão de energia. Se o sistema de transmissão esta realmente no limite pode-se esperar um pacote de investimentos do governo no setor e não o aumento da taxa básica de juros, pois não seria a decisão mais inteligente a longo prazo.
Frederico Matias Bacic

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